
Há duas coisas que eu não tenho e nunca dei por que me fizessem falta. Uma: autoridade para escrever sobre relações amorosas. Duas: o segredo da longevidade da mesmas.
Esclarecidos neste ponto podíamos passar à parte em que eu, a fingir insatisfação por tais faltas, tento colmatá-las à força comprando o livro do blogger mais arrumado do momento ou fazendo uso de um voucher da revista feliz para duas horas num motel. Mas não, vamos antes fingir que afinal percebo do assunto e largar assim género confissão que, mesmo às apalpadelas, me tenho safado bem neste campo e hoje estamos de parabéns. Eu e o tipo com o melhor rabo do mundo. Parabéns a nós!
Encontrámo-nos pela primeira vez neste belo dia de Maio, há uma data de anos, e ainda aqui estamos. Quantos anos? Uma catrefada deles. Sem exagero, nem sequer naquilo do rabo. (A semana passada, ao contemplarmos o magnífico e nú Fassbender no “Shame”, diz ele: “Porque é que os homens têm todos rabos “assim”, achatados?” Como é que lhe posso dizer que o rabo dele dá cinco a zero ao do outro?)
E como é que conseguisto isso, ó Alexandra? Tanto ano e tanta carne onde enterrar as unhas? Muito fácil. Eis o segredo, em primeira mão, só para vocês, que a seguir também vou pô-lo num livro: (se julgam que vou falar da importância do diálogo constante, do respeitinho que é bonito, de que nunca se deve dormir sem fazer as pazes, de como são úteis as cuecas tanga e as extensões de pestanas que batem à Bambi, das noitadas que lhe permitimos com os amigos, de como convém alinhar no swing uma vez por outra, de oferecer flores, bla, bla, bla… podem parar por aqui, este segredo não é para o vosso bico).
Agora atenção, isto é absolutamente secreto e infalível, não vão para aí contar ao resto da malta. É um conselho inestimável este que vos dou: Logo ao início da relação, com a coisa ainda fresca, na fase das juras de amor e canções melosas, eu escrevi, com a chave do cadeado da minha mochila, “Alexandra + Homem-da-Alexandra” na parede da casa da Julieta, em Verona. E a seguir passei-lhe a mão pela mama direita.
Depois cheguei a casa e escondi todos os venenos e os punhais que por lá andavam. É que nunca fiando.