Nas Montanhas Nebulosas

Sabem aqueles esquisitóides que se ofendem quando orcs são confundidos com goblins, que sabem o que quer dizer o J e o R de Tolkien e que, se lhes for pedido com jeitinho, ensaiam uma ou duas frases em Sindarin enquanto nos deixam copiar a sua receita de lembas? Pois bem, assim sou eu, Alexandra-Galadriel, muito prazer. Infelizmente as minhas lembas só são boas para dentes de troll roerem, mas o meu élfico é bastante aceitável.

Vi “A irmandade do Anel” no cinema mais vezes do que aquelas que me quero lembrar, mascarei-me de elfa, com lentes de contacto azuis e tudo, e li aquela xaropada do “Silmarillion” com gosto. Estão a ver essa coisa do Hindu-kush aí em cima? Eu queria era escrever Barad-Dûr, mas tive vergonha.
Infelizmente, tenho mantido um sério arrufo de namorados com o JR desde os tempos da criação de Arda. É aquela coisa d’”O Hobbit”. Não gosto. Acho que é a obra mais infantil do senhor e dispensava-se bem a sua existência, não fosse pela parte do encontro Bilbo/Gollum. Cá para mim tinha-se incluído essa história na “Irmandade” e ‘tava a andar. Mais calhamaço, menos calhamaço, ninguém reparava e escusavam de vir para cá os dragões meter nojo.

Pior do que ser uma história para crianças é o facto de ser uma história para crianças do sexo masculino. Onde é que estão as elfas vaporosas a fazerem olhinhos de carneiro mal morto aos heróis? E os próprios heróis? TODOS UNS BAIXOTES! Não, não, é demasiado para uma pessoa aguentar. Li “O Hobbit” só uma vez, que é a maior desfeita que posso dizer que fiz ao Tolkien, e confesso que nem me lembro bem da história. Só anões por todo o lado. Bah.

Depois o Peter Jackson pôs-se outra vez com ideias. Ideias tristes, está bom de ver, megalómanas. Se um Hobbit já é mau, imaginem três. Mas estava-se mesmo a ver que eu tinha de ir espreitar a coisa. É que, estão a ver, o Peter Jackson realizou todos os meus sonhos mais queridos há uns anos, quando me deu o Viggo Mortensen todo sebento e barbudo a cantar numa floresta ao luar. Nem naquele dia em que o Tolan me pôs na lista de blogs que lê me senti tão feliz. Eu devia ao Peter, no mínimo, uma espreitadela ao Hobbit dele.

Isto tudo para dizer que, contrariamente ao que se diz por aí, até achei alguma piada ao filme, com todos os seus clichés LOTR para putos de 8 anos. Cheguei a rir-me com os anões-parvalhões e até a desviar-me de um projéctil 3D em chamas, o que foi muitíssimo divertido (e infantil, eu disse-vos). Além disso, parece-me que subestimei o charme dos homens baixos. Aquele Thorin da madeixa grisalha tem potencial e canta que é uma maravilha. É até por isso que estou aqui hoje. O melhor do filme, logo a seguir ao Gollum (Dá-me um filho, coisinha fofa!), é a canção do Thorin. A sério. Eu se fosse o Tolkien tinha tido um orgasmo ou dois a ouvi-la. Aquilo atinge tais níveis de mística tolkiana que até as orelhas me cresceram meio centímetro. “The Misty Mountains (Cold)”, um poema do Tolkien, daqueles que passamos à frente nos livros, aqui tão bem imortalizado, não foi nomeado para um Óscar. Ohhhhhhhhh. Fica aqui a minha nomeação:

E, já agora, quase sem sair do tema das canções dos livros que ganham melodia, saltem para esta outra maravilha que é “The rains of Castamere” – The National para a série Games of Thrones (Sim, Tolan, isto era uma armadilha para te pôr a ouvir The National;))).
Tão bem feito que nem consigo escrever mais nada. Bom fim de semana.

1 comment
Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.