A princesa e a agulha

É possível que me acusem de insistir na cruzada da semana passada contra os cabelos lambidos, mas garanto que não foi por esse motivo que estive a ver o filme de animação “Brave – Indomável”, este domingo.
Protagonizado por uma criatura muito necessitada do tal alisamento que falámos, a fazer fé na Vogue (Grace Coddington à parte), ou de uma boa touca, no dizer da sua rica mãe, o filme é um delírio visual do princípio ao fim. Sim, aquele maravilhoso cabelo dela, mas também todo o ambiente medieval (e escocês!), a luz do castelo, as florestas místicas, os cromeleques, as personagens excêntricas, detalhes, detalhes, detalhes!
O dedinho Disney impõe-se, à parte a questão “princesa”, que as más línguas tanto fizeram notar aquando da fusão Disney-Pixar. É tão mais que isso. Há no filme qualquer coisa de misterioso e maléfico, um ingrediente mágico, um cheirinho a conto tradicional que andava ausente dos filmes de animação mais recentes. Ou que me andava a faltar a mim. Que saudades de um bom caldeirão fumegante! E de uma bruxa, caramba, a falta que me andava a fazer uma bruxa!
Eu culpo os animais.
Já há tempos que não via um filme de animação protagonizado por humanos. Não tenho visto muitos, é certo, mas os que vi estavam todos bichosos. Os animaizinhos, ai, os animaizinhos. Nota-se muito que não sou a maior fã? São engraçados, têm personalidade e tudo isso, cantam e dançam que é uma beleza, mas, quer venham do gelo ou da selva, quer sejam pinguins, lobos ou ursos, fugidos do Zoo ou artistas do Kung-fu, passado um tempo são todos iguais. O que é querem? Eu nem em pequena gostava assim tanto de filmes de animais. Chorei no Bambi, morri de tédio do Papuça e Dentuça e só gostava dos Aristogatos porque a certa altura os bichanos iam correr mundo com um badboy vira-lata.
Não preciso de princesas, mas gosto de ver humanos animados. Até ver o “Brave” não me tinha apercebido de como estava farta deste excesso de criaturas peludas falantes com comportamento humanóide. E, vejam bem (spoiler alert), nem aqui escapamos totalmente a essa sina. Mas, enfim, são maldições de bruxa, já me parece mais aceitável. E a situação está tão bem resolvida que ainda me ri um bocado com o bicho. Não fiquei totalmente rendida à história, mas tudo o resto soube-me muito bem.
Por fim, a Escócia fica tão bem em 3D como seria de esperar e, já agora, só gostava que o moral da história não fosse o tão medievalmente tacanho “queres salvar o dia, rapariga, aprende mas é a coser”. Enfim, será irónico. Flechas, agulhas. Desde que se espete qualquer coisa…

10 comments

  1. Paula

    Talvez a moral da história não se prenda tanto com o aprender a coser (que se aplicaria na altura, mas agora já não) mas mais com o aprender a ouvir a mãe. E todas as morais são muito bonitas, mas as filhas só darão razão às mães quando passarem pelos mesmos apertos e viverem as próprias experiências. Foi assim comigo, vai ser assim com a minha filha e será assim para sempre, até quando já não existirem agulhas.
    Ah, antes que me esqueça, adorei o filme.

  2. Ricardo

    O Up é maravilhoso sim, mais adulto que o Brave, e a primeira parte…
    Já a Brave, agora acompanha a Cat para todo o lado. Pelo menos consegui tirar-lhe a ideia de comprar um arco e flechas ahahah

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