Abana-me esse Harlem

A malta criativa tem esta mania estranha que comecei por achar que percebia mas agora já não estou tão certa. A malta criativa tem que ser diferente em tudo o que faz, recusar a normalidade, cuspir na imitação, sublimar a originalidade. A malta criativa pensa sempre fora da caixa e aspira mudar-se para aquela terra prometida, para lá da zona de conforto, onde moram os sonhos e as cenas vintage. A malta criativa olha de lado para shoppings, blockbusters e bestsellers, mas pela-se por sushi, garage sales e instagrams.  Nada é suficientemente alternativo para a malta criativa.
Até aqui percebo, chama-se “ser do contra”, “remar contra a maré” e isso é uma atitude que me vem naturalmente. São gerações de bons genes. Não vi então nenhum motivo para não me considerar também uma pessoa criativa, até me aperceber, caramba(!), que estou num nível bem superior de alternatividade. Afinal, não fui ao concerto de Sigur Rós (quem é que atura aquilo mais de 2 minutos??), não faço tenções de me atrelar a um i-phone e jamais enfiarei aquela carapuça do Harlem Shake.

15 comments

  1. W

    A questão que ponho acerca do Harlem Shake é:

    Porquê?!?!?

    Considero-me um tanto quanto criativo mas não sou muito dado à cena hipster como a descreves.
    Adoro gadgets e estou 24 sobre 24 ligado à rede, mas vamos dar uso a isso para mais do que por fotografias de comida no Instagram ;)

  2. São João

    Eu tenho uma grande apetência para dançar de forma ridícula, mas isso do Shake não me atrai. Prefiro o Gangnam Style ou imitar a Malhoa em frente à tv.

    Sigur Rós é “segura-os” à setubalense?

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