BFF Forever

O meu melhor amigo e eu não nos falamos desde segunda-feira. Eu não lhe falo, pelo menos. Tenho destas venetas e é esperar que me passe. Partir bibelots e ouvir heavy metal poderia acelerar o processo de cura, já foi testado e comprovado, mas nesta idade até as zangas correm melhor se forem saboreadas nas calmas (além de que parti o meu último D. Afonso Henriques de cerâmica noutra fúria já esquecida).
O problema número um é que o meu melhor amigo vive na minha casa e dorme na minha cama. É preciso manter um certo nível de comunicação, ainda que primário, “Passa-me o sal” e assim. Simular surdez em situações destas não é coisa de pessoa crescida.
O problema número dois é que eu gosto muito deste meu melhor amigo e preciso de lhe dizer coisas que só lhe posso dizer a ele. Hoje é quarta-feira, não calculam a quantidade de coisas que ficaram por dizer, mesmo sendo eu uma pessoa de poucas falas, e estão para aqui acumuladas, a entupir tudo. Já se fizeram serial killers de muito pior cepa.
O problema número três é de ordem ortopédica: não dou cá bracinhos a torcer a ninguém. Sou Alexandra, a Grande, caramba, tenho sempre razão e se não tenho finjam que sim. Sacrifiquem um borreguinho aos pés do meu pedestal, OK?
Não há mais bibelots em casa e tenho andado a ouvir música deprimente, é seguro dizer que tenho aqui birra para durar. E não me está a saber nada bem. É esperar que ninguém me passe para a mão uma semi-automática.

13 comments
  1. Alexandra, dá-se o fantástico acaso de eu ter passado os olhos por este post e estar em condições espacio-psico-disponibilo-temporais de aqui partilhar o que sei sobre esta temática de desbloqueio de situações de impasse verbal. O ponto essencial a ter em conta é que lhe cabe a si, Alexandra a Grande, dar o primeiro passo. Admitindo que tratamos aqui de uma relação convencional e admitindo que o facto de se apresentar como Alexandra a coloca no sector do género feminino, depreendo que o seu melhor amigo é do género masculino e, em verdade lhe digo, os do género masculino tendem a gerir mais facilmente a ausência de linguagem verbal, seja porque lhes é simpática a ideia de silêncio, seja porque temos a capacidade de sectorizar os temas que nos afligem e pode até dar-se o caso de o rapaz ainda nem sequer ter percebido que estão em blackout e só começar a desconfiar que algo de estranho se passa lá pelo trigésimo dia da coisa, quando começar a sentir o tempo mais fresco e perceber que está a dormir na rua. Enfrentando sem medo o facto de ser a minha cara Alexandra quem dará o primeiro passo (há estatísticas demolidoras que suportam esta premissa), está na sua mão fazê-lo de forma elegante, nada de gritos de “Eu não aguento mais isto, vais ter que falar comigo” enquanto ele degusta tranquilamente o seu whiskey e assiste à repetição do Portugal-República Checa de boa memória, convirá que a cara Alexandra inicie um processo de construção de um header envolvendo a temática pipoqueana e sorrir muito, mostrando que esse trabalho lhe dá prazer, pode mesmo cantarolar, impacta muito mais. Mais tarde ou mais cedo, ele vai reparar na sua linguagem corporal, distendida e alegre, até porque não vai conseguir resistir à sua boa-disposição. Ele vai perguntar-lhe o que está a fazer, em linguagem gestual, apontando para o seu trabalho com o header pipoqueano e levantando os ombros em sinal interrogativo, ao que a cara Alexandra deverá responder “Ah, é uma coisa que estou a fazer para um tipo fantástico, havias de o conhecer, um tipo genial, podia estar horas à conversa com ele, tão simpático, tão assertivamente brilhante, uma cultura tão…” (nesta parte ele ajoelha-se aos seus pés e pede-lhe desculpa, bruto que foi, como foi possível não perceber que a Alexandra era a luz, a única luz, etc.”.

    (às ordens)

    1. Eu sei que o tema é sério mas estou a rir-me com ambos post e comentários.
      Posto isto, nada mais que possa acrescentar será de alguma utilidade!

    2. Pipoco, que o meu silêncio não seja por si interpretado como desprezo pelos sábios conselhos que li e reli enquanto vogava entre o Cacilas e o Cais de Sodré a remoer a minha fúria. Como dizia o poeta: “Pipoco quer, Alexandra amua e a obra nasce”. Teremos novidades em breve.
      (E não acredita certamente que o rapaz teria necessidade de me perguntar alguma coisa sobre a natureza dos meus lindos esboços pipoqueanos, pois não? Lá terá os seus defeitos mas desconhecer a existência do Pipoco não é um deles… :))

  2. O orgulho nunca foi boa medida em situações destas minha cara. E a falar é que as pessoas se entendem. Alguém tem é de dar o primeiro passo…..

    1. Neste caso acho que tropeçámos e acabou por não ser claro quem se dirigiu a quem. Problem solved.

  3. E tu vais viver com amigos? isso é perigoso.

    1. Não tenho inimigos… faz-se o que se pode! :)

  4. Alexandra melheri não ouças os conselhos do pipoco, do rec rec vê-se logo que não tem conhecimento empírico práquilo…aposto que o teu amigo nem toma whiskey …ainda do Rúben vá lá…eu acredito, eu tenho de acreditar (afinal com o meu plano traçado e depois de 5000 tshirts impressas daqui a uns anos vou ter um filho dele), cá pra mim esse pipocas quer é um header…
    Eu venho cá recomendar Slayer pra carola e partir pratos na cozinha à noite quando ele tiver a dormir, mas se quiseres dar uns tirinhos eu espero-te por cá…tenho um amigo com um arsenal daqueles!! é tudo que quiseres!!
    gaja: tu não baixes a guarda, escreve tudo o que queres dizer e deixa na retrete, se ele vier com má atitude nhanhanha dizes logo que tavas a cagar e lembraste-te dele…dormes com ele na mesma cama? estica-te e dá-lhe uma porradinha nocturna, torcer bracinhos nunca, pontapear às escuras sim!!
    vais a ver isso passa depressinha, beijinho bom

    1. :) Querida Xuxi, não precisei de chegar aos tiros, mas apreciei deveras a sugestão (e não que é tenho pontaria e jeito para a coisa? Pelo menos com pressões de ar e marcadores de paintball… Arquiva lá isso para quando eu te for fazer uma visita)

  5. :S
    Espero que sejam já águas passadas…

    1. :) São, sim, obrigado!

  6. Interrogações de uma mente perplexa:
    (i) Como é que eu passei tanto tempo sem saber da existência deste blog?!
    (ii) tens Um (leia-se género masculino) melhor amigo? mas, mas…e aquilo que o billy cristal disse de uma homem e uma mulher não poderem ser melhores amigos sem haver sexo pelo meio?
    (iii) ah, está explicado, dormem na mesma cama – a regra confirma-se.
    (iv) Mas, como fazes para teres sexo com um gajo, ainda por cima melhor amigo, e não seres namorada dele?

    [deves ser a gaja mais fixe que existe à face da terra]

    1. :)
      Sou mesmo a gaja mais fixe do mundo, mas não contes a ninguém que não quero se espalhe por aí. Ao contrário de ti, eu já te tinha topado. ;)
      Ah, e sou namorada dele… isto não é uma cena when Harry met Sally, temos tido segundas intenções desde o início.
      Obrigado!

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