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Tenho andado a ver aquela série nova do Hannibal. Sou grande fã do personagem, tenho os livros, vi os filmes, a criatura fascina-me, intriga-me, mas não estou aqui agora para fazer uma crítica à série. É coisa mais séria.
Vou no terceiro episódio e até agora o homem lá de casa adormeceu em todos. Deve achar aquilo muito parado, com muito mind-game, poucas senhoras desnudas inteiras e nenhuma perseguição automóvel, mas eu tenho estado a ver com agrado e com uma crescente sensação de familiaridade. Uma familiaridade estranha, impossível, mas real a seu modo. Quase a familiaridade  que se acha ter com um amor platónico. Isto faz sentido? Não sei, mas estou para aqui a escrever sem parar desde que fiz A DESCOBERTA!
Expliquemo-nos. Tem-me estado a parecer que conheço o Hannibal de outro lado qualquer. E que conheço bem, ainda por cima. Pensei que fosse dos livros, que o descrevem de uma forma que os filmes não são capaz de fazer, mas depois apercebi-me que não é bem isso. Eu devo conhecer de facto uma pessoa que é o Hannibal. Mas não conheço, pois não? Ou conheço? Que confusão!
O Hannibal da série têm um guarda-roupa belíssimo, tudo muito sóbrio, tudo em bom. Gravatinhas sedosas, só fatinhos de alfaiate, tudo a cair-lhe ali no corpinho como uma luva (também tem um belo corpinho, mas isso agora não vem ao caso). Depois colocam-no sempre num ambiente sóbrio, escritório/palácio de painéis de madeira, uma biblioteca enorme com uma escadinha, que eu gostava tanto de ter. O homem é um gentleman culto, cheio de pose, com aquele ar inexpressivo de quem não se importa realmente com nada, mas com atenção a tudo. Olhos de carneiro mal morto que nos sugerem mistérios, saberes e pensamentos elevados. O Homem ideal, mas com dentes.
Aproximamo-nos da coisa…
Fui aos livros rever a lição. E que belas descrições de refeições gourmet, vinhos finíssimos, compras em lojas caras, viagens a capitais europeias, luxo e gosto, sofisticação a rodos. E então houve uma palavra que me saltou assim à vista: snob. Diria mesmo que fiquei momentaneamente cega quando o meu cérebro lhe acrescentou o chique.

É isto meus amigos, o ilustre Pipoco Mais Salgado é, para mim, o Hannibal. Deve ter sido desde o início. São os dois uma única e fascinante personagem – mesmo que haja aqui toda uma história de canibalismo paralela a que ainda não consegui atribuir significado blogosférico. Agora tenho muito mais medo que desejo de o convidar para jantar. Mas anda lá tudo.

E assim retiro-me em perturbação. Preciso de meditar muito nesta minha descoberta.

 

 

 

 

15 comments

  1. Vic

    Eu conheço-o de um filme do 007. Mas tocaste num ponto em que sou muito sensível. É verdade que o homem tem os seus fatinhos feitos por medida, mas aquilo é quase sempre uma confusão de patterns. Quadrados com quadrados e riscas. Fazer uma mistura de texturas é difícil e leva muito tempo a aprender. No caso, aquilo foi tudo feito à pressão por alguém que, suspeito seja do sexo feminino.
    Por isso é que nunca deixei uma mulher oferecer-me uma gravata.
    Disse.

    • Alexandra

      Fico muito contente com essa tua opinião de especialista, Vic. Eu tendo a ficar cega pelo arcaboiço que está dentro do fato e deixo de ver padrões e fazendas. Hei-de reparar melhor nisso que dizes.

  2. D

    Pois eu acho a série muito boa. O Will não é lá grande profiler e faz lembrar o Daniel Pierce, mas aquele episódio do cultivo dos cogumelos foi brilhante….” Bowels in or bowels ou ?”

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