Branca de Neve e o Lobo com azia

Primeiro foi a grande maluquice do fantástico. Em todo o lado: prateleiras da Fnac, écrans Lusomundo, pijamas de puto. Aquele fantástico fantástico onde pululam orcs e trolls e hobbits e goblins e aranhas gigantes e feiticeiros e dragões e quejandos. Isto não é uma queixa, a carapuça serve-me. E a capinha de elfo também (fica-me só um pouco curta nas mangas que isto de tecidos mágicos… no fundo, no fundo, são como os da Zara).

Agora diz que o que está a dar é o fantástico dos contos de fada. Antes não estivesse. Aquela bestialidade sem nome que foram os Irmãos Grimm, as atrocidades cometidas em nome do Capuchinho Vermelho e agora outra fantochada, que os reúne todos no mesmo saco, e me meteu medo logo a meio do episódio piloto. Para a maluquice ter chegado às novelas da TVI, vejam lá. Diz que se salva a Alice, mas ainda não fui ao país dela.

A Branca de Neve que aí vem, estilo Joana d’Arc meets Twilight, inspira-me ainda menos confiança, mas alguma curiosidade, confesso. (Abro um parêntesis para suspirar, porque, mais uma vez, a carapuça escorrega por aqui abaixo como manteiga. Vi o Twilight. Sou fraca, fraca, fraca. E gosto de um gajo em tronco nu tanto como as demais).

Mas não me parece bem que andem a brincar assim com a Branca de Neve. E com o Capuchinho Vermelho, também não. Estas duas queridas são minhas. Sempre achei que tenho um pouco das duas: Todos à minha volta parecem anões e tenho muito medo de florestas e estranhos. Além de que nunca sabemos se nos sai um príncipe ou um lobo.

Se querem brincar com os contos de fadas, façam-no como deve ser. Olha, como o Bruno Santinho, por exemplo. A imagem do topo é dele e adorei-a mal a descobri. Pertence a um projecto muito interessante em que grafitters, designers gráficos e ilustradores nacionais se uniram para criar uma colecção muito especial de papéis de parede.

Mais aqui.

Agora adeus, que vou ali conversar com o Gollum.

8 comments

  1. Rachelet

    Verdade seja dita que isto quando alguém tem uma ideia – e isso também é discutível, na verdade, porque os contos de fadas sabe-se lá a quem remontam, pois se até virem colectâneas de Grimms e Andersens, já os ouviam pela tradição oral. Enfim, dizia que quando alguém tem uma ideia que pega (vampiros, zombies, alices, capuchinhos e brancas de neve), vai tudo de arrasto.

    Na verdade, não posso com a Alice e as «versões» nada fizeram para achar a história mais engolível sem auxílio de substâncias não menos mágicas do que dantes. Por outro lado, sempre achei a BN uma poncha de primeira e agora parece que ganhou algum salzinho. Mas a série é chatinha, isso é. Então a parte da moça-que-dá-filho-para-adopção-e-agora-quer-saber-dele-e-já-agora-salvar-o-mundo é seeeeca.

    • Alexandra

      O que me irrita acho que é mesmo a rapariga. Para além de estar sempre à espera que o House salte de trás de uma macieira, aquela pose brutinha dela para com o miúdo, kid para lá, kid para cá, quando já se sabe que vai começar a morrer de amores por ele não tarda nada… não sei, não… Mas a mim até já me quiseram bater quando disse mal da série.
      Também não sou grande fã da Alice, aquilo é muito à frente para mim, mas sou fã do Burton, por isso lá chegarei.

  2. Rachelet

    Sim sim, acho que a maior virtude da série são os modelitos da Ginnifer Goodwin e o Sr. Gold (que me faz sempre lembrar o Trainspotting).

    Quanto ao Burton, até os deuses falham volta e meia (na mitologia grega então, é questão para perguntar quando é que acertam!). Ok, não vi o filme (deve ser o único dele), mas é um bocado como caracóis e queijo chulé – não preciso de provar para saber que não vou delirar.

  3. Rachelet

    Meh, olha que não sei se é coisa «cá de cima». Quando era saloia, toda a gente se pelava por essa…er…iguaria e eu já então torcia o nariz e pedia um prego no pão. Aquela consistência e cheiro não me convencem.

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