Category: por aí

Luisa Sobral

Achei o primeiro disco da Luisa Sobral uma delícia e não foi só porque adoro cerejas e chantilly. Imagem gráfica, guarda-roupa, acessórios, vídeos, site, até a música, que não é o nada meu estilo, mas foi entrando no ouvido, tudo muito cuidado e bem jeitinho. Fresco, divertido e com uma pinta que é raro ver em Portugal. De comer e chorar por mais, até à cerejinha do topo.

Hoje vi a capa do single novo e apesar da imagem global não desapontar nem destoar do anterior, não gostei nada da fotografia. A Luisa é tão engraçada, porque é que terão escolhido aquela fotografia cabisbaixa que não a favorece nada? Torna-lhe o rosto comprido e triste. Parece que está a morder o interior das bochechas como eu faço quando estou nervosa. Fico logo a pensar se o disco não será deprimente e a tal “mom” castigadora. Ao mesmo tempo intriga-me.
Vou ouvir para ver o que dali sai.

A princesa e a agulha

É possível que me acusem de insistir na cruzada da semana passada contra os cabelos lambidos, mas garanto que não foi por esse motivo que estive a ver o filme de animação “Brave – Indomável”, este domingo.
Protagonizado por uma criatura muito necessitada do tal alisamento que falámos, a fazer fé na Vogue (Grace Coddington à parte), ou de uma boa touca, no dizer da sua rica mãe, o filme é um delírio visual do princípio ao fim. Sim, aquele maravilhoso cabelo dela, mas também todo o ambiente medieval (e escocês!), a luz do castelo, as florestas místicas, os cromeleques, as personagens excêntricas, detalhes, detalhes, detalhes!
O dedinho Disney impõe-se, à parte a questão “princesa”, que as más línguas tanto fizeram notar aquando da fusão Disney-Pixar. É tão mais que isso. Há no filme qualquer coisa de misterioso e maléfico, um ingrediente mágico, um cheirinho a conto tradicional que andava ausente dos filmes de animação mais recentes. Ou que me andava a faltar a mim. Que saudades de um bom caldeirão fumegante! E de uma bruxa, caramba, a falta que me andava a fazer uma bruxa!
Eu culpo os animais.
Já há tempos que não via um filme de animação protagonizado por humanos. Não tenho visto muitos, é certo, mas os que vi estavam todos bichosos. Os animaizinhos, ai, os animaizinhos. Nota-se muito que não sou a maior fã? São engraçados, têm personalidade e tudo isso, cantam e dançam que é uma beleza, mas, quer venham do gelo ou da selva, quer sejam pinguins, lobos ou ursos, fugidos do Zoo ou artistas do Kung-fu, passado um tempo são todos iguais. O que é querem? Eu nem em pequena gostava assim tanto de filmes de animais. Chorei no Bambi, morri de tédio do Papuça e Dentuça e só gostava dos Aristogatos porque a certa altura os bichanos iam correr mundo com um badboy vira-lata.
Não preciso de princesas, mas gosto de ver humanos animados. Até ver o “Brave” não me tinha apercebido de como estava farta deste excesso de criaturas peludas falantes com comportamento humanóide. E, vejam bem (spoiler alert), nem aqui escapamos totalmente a essa sina. Mas, enfim, são maldições de bruxa, já me parece mais aceitável. E a situação está tão bem resolvida que ainda me ri um bocado com o bicho. Não fiquei totalmente rendida à história, mas tudo o resto soube-me muito bem.
Por fim, a Escócia fica tão bem em 3D como seria de esperar e, já agora, só gostava que o moral da história não fosse o tão medievalmente tacanho “queres salvar o dia, rapariga, aprende mas é a coser”. Enfim, será irónico. Flechas, agulhas. Desde que se espete qualquer coisa…

Elas não alisavam o cabelo

O pedaço amarelo e espigado caíu ao chão, sem um som, e lá ficou, triste trigo maduro em versão capilar, até que foi varrido para um canto. Está bom assim? Claro que não. 10 cm a menos já conta como mais uma cabeça do bicho conquistada. SOU TÃO CORAJOSA. 2013, o ano dos objectivos.
Os cortes de cabelo deprimem-me, já tinha dito? Não raras veres, de forma tão séria que me dá para a produção criativa. Tive um professor que dizia para nunca nos metermos no álcool, que nunca faríamos nada na vida, já nas drogas, vá, ainda podia ser que pintássemos uns quadros. Comigo são mais as idas ao cabeleireiro. Longe de serem um vício, estimulam-me a veia intelectual que é uma beleza. Enquanto tiver cabelo para cortar, tenho ocupação garantida. Uma vez levei umas tesouradas assimétricas tão valentes que escrevi um conto sobre uma miúda que fugia de casa num autocarro da Renex, de outra fiz madeixas ruivas e acabei a ilustrar a aguarela um soneto de Camões, aquele da Bárbara escrava.
Desta minha visita anual ao cabeleireiro do bairro, contudo, ficaram-me só duas descobertas muito prosaicas. Uma: o meu cabelo agora abana quando viro a cabeça. Duas: anda toda a gente a besuntar-se com um químico que cheira mal, faz chorar os olhos das cabeleireiras e, supostamente, mantém o cabelo liso por três meses.
Contaram-me isto quando, durante a tosquia de que fui alvo, inquiri o que estavam a fazer às minhas vizinhas da esquerda e da direita. Alisamento não sei quê? Ahhhh… e para que serve? Para ter o cabelo sempre penteadinho, direitinho, lambidinho. Ahhh… e fazem isso de livre vontade?
Já se fizeram muitas atrocidades aos cabelos femininos ao longo da história, mas nenhuma tão pouco imaginativa e aborrecida como estes alisamentos temporários que se fazem agora. Caramba, até passar a ferro carapinhas nos sixties me parece mais divertido. O cabelo podia ficar todo queimado, que ficava, mas na lavagem seguinte estava outra vez despenteado. E ninguém estava assim tão sóbrio para se ralar com o cheiro a esturro.
Eu acho que não há nada como uma melena despenteada e, se fosse homem, era só assim que as apreciava. A impreditibilidade de um caracol é ou não o supra-sumo da sensualidade feminina? Rebelde, selvagem, capaz de tudo. Afinal, era também assim que preferiam os ilustres homens* que pintaram as senhoras dos quadros abaixo (não sei se recorrendo a drogas, teremos de confirmar isso com meu professor…).

* E senhora que se auto-retratou, no caso da querida Frida.

Balbúrdia no Desktop

Não me dou com agendas, listas de tarefas e lembretes que apitam, mas às vezes escrevo iniciais de coisas para fazer nas costas da mão. Depois nunca me lembro o querem dizer aqueles E. F, L. M., D. V. (Estufar Frango?, Ligar à Márcia?, Depilar Virilhas?) mas, quando as lavo das mãos, quase de certeza que já tratei do assunto. Funciona não funcionando. É um mistério.
Também não sou nada arrumadinha. É difícil ver o tampo da minha secretária, nunca encontro o telemóvel na mala antes do quinto toque e vejo crescer lindos fungos em restos de comida no frigorífico, quase todas as semanas. Há quem diga que é coisa astrológica, os aquarianos são os maiores cabeças no ar do zodíaco. No meu caso, deve haver ainda uma forte influência do ascendente, seja ele qual for.  É de certeza o signo mais preguiçoso de quantos há, perito em temperar personalidades potencialmente geniais (Einstein era aquariano!) com uma boa dose de “deixa andar”.
Não acho nada disto necessariamente mau, e funciono lindamente na minha balbúrdia, mas há uma altura em que dou a mão à palmatória e tenho de concordar com o obsessivo compulsivo que anda lá por casa a ordenar as toalhas por cores. O meu computador fica facilmente em estado caótico. Mais que ter a secretária desarrumada, aborrece-me ter desarrumado o desktop. E tenho, sempre. O sonho da minha vida é ter um dia um wallpaper catita, que de facto se veja, e apenas 3 pastas, muito direitinhas. Oh, aspirações, aspirações.

(Quem não percebeu que introduzir aqui o tema astrológico foi só uma deixa para alertar toda a gente do meu eminente Dia B, é um ovo podre.)

Dieta de Inverno

brownie

Se há coisa pior que uma caixa cheia de brownies e é uma caixa cheia de brownies mesmo à nossa frente. À distância de um gesto, tão fácil. Esticoooou… trincou, mastigou, engoliu. Três repetições, vá. Ainda nem são horas de almoço. Trabalham-se bicípedes, deltóides, músculos anónimos que mexem a língua e o maxilar. Uma festa. Ninguém me pode acusar de falta de exercício.

A receita completa da Charlotte, aqui.

uh-oh… Busted!

Ponde aqui os vossos olhinhos, meninos, aproveitai bem, esta combinação excepcional de Alexandra-Amarelo não irá repetir-se tão cedo (e não é que é  mesmo gira, ó São João?).

Vide gatafunhos do Prezado no canto inferior esquerdo.

 

anónimos às 20:46 horas

Três bloggers tímidos têm o azar de chegar a horas. Questionam a sua sanidade mental várias vezes, mas não arredam pé. Um blogger chega e recebe um presente. Duas bloggers chegam atrasadas, mas a festa só começa verdadeiramente com elas. Uma tem a cabeça a piscar e a outra quer iscas de cebolada.
Uma blogger obriga-nos a cheirar um sabonete de alcatrão, e outra, especialmente maldosa, traz uma mala amarela.
Um blogger rabiscou a mesa toda e outro corou até às orelhas quando lhe disseram: “fala-me de ti”.
Quatro bloggers adoram a Escócia, três dizem mal das sogras e dos patrões. Todos fazem comentários inteligentes e perspicazes a respeito das obras literárias escolhidas para discussão. Não há consenso sobre Tolstoi, mas circula pela mesa um Borda de Água muito jeitoso. Diz que Agosto vai ser chuvoso.
Uma blogger foi exactamente o que se imaginava, outra foi melhor que aquilo que prometia e a terceira foi uma surpresa tão boa que ainda não se acredita nela.
Bloggers ausentes são evocados, brindados e cuscuvilhados (mas não muito). Sete bloggers são corridos do restaurante a horas impróprias.
Quatro bloggers resistentes vão à Fabiana e passam o resto da noite a gritar aos ouvidos uns dos outros. Uma blogger vai para casa de madrugada com a bexiga muito cheia. Não tem sono e está muito contente. Tem uma data de amigos novos.

(Anotações feitas sábado passado, às 4:46 da manhã, sobre a primeira reunião anónima de bloggers muy fuera a que assisti)

Five Shades of Green

As almofadas às bolas do meu sofá são iguaizinhas às almofadas às bolas do sofá do casal gay do Modern Family, mas em verde. Uma das paredes da minha sala é do mesmo tom de verde das paredes do Hospital do House. Tenho um pijama com uma cor igualzinha à da camisa do Walter, do Breaking Bad. Gostava que a vista da minha janela fosse tão verde como o verde que se avista de Hell on Weels. E queria tanto não ficar verde de inveja da menina que escreve o Girls (que por acaso também tem uma parede verde em casa dela. Viram? Tenho um décor tendência e nem sabia).

O Calimero e a Pêra Verde

A Celina da Piedade é cá das minhas a dar títulos. A letra da canção nunca se refere ao pobre pintainho injustiçado da nossa infância, mas isso não tem importância alguma. Gosto dela.

Sabes que te portaste mal este ano…

… quando o Pai Natal vem, em pessoa, sentar-se de frente para ti no comboio, a fingir que não te conhece de lado nenhum, enquanto te tira as medidas.
Antes de sair, passei por ele e tossi uma sugestão: “Louis Vuitton”.
Pode ser que assim ele se convença que estava a vigiar a pessoa errada e sempre me deixe qualquer coisa debaixo do exaustor. Umas meias ou assim, não peço mais.

(Alguém que avise o senhor que se quer ficar incógnito, não deve usar casacos vermelhos.)