Come to the country, we have couves

No país rural onde estive este fim de semana a crise não me pareceu assim tão má. Bem pior estava o vento.
Naquele país rural há couves: pencas, trenchudas, portuguesas. Leiras delas. Galos-galarós que cantam às 5 da manhã implorando para serem transformados em canja. Limoeiros carregadinhos de frutos amarelos. Arbustos fragrantes de rosmaninho (a dois ou três aéreos o vasinho nos supers da metrópole). Cabrinhas saltitantes de úberes redondos. Tomatinhos minúsculos a crescer em estufas de garrafões de água do Luso de pernas para o ar.
No país rural onde estive, até as azedas nas veredas se podem chupar para enganar a fome. As urtigas então, dão uma graça a ovos mexidos e caldos que até custa a crer.

A1 fora, no regresso, dei voltas à cabeça a congeminar planos:
Um, mudar-me para o país rural. Dois, cozinhar de forma capaz um galo histérico com limão, rosmaninho, azedas, urtigas, tomate prematuro, leite de cabra e duas espécies de couve, para tornar a descrição da abundância acima descrita em algo literal e comestível. Três, disfarçar através de um post totalmente às três pancadas a vontadinha que tenho de voltar a escrever de forma menos simpática sobre a minha sogra.

E agora vou almoçar os restos de feijoada de ontem que a senhora embalou com carinho a pensar no meu almoço de hoje.
Há noras ingratas, pois há.

2 comments
  1. Só pelas couves, era mulher para go to the country, é que adoro sopa de couve, salsichas frescas com couve, enfim, todo aquele mundo culinário da couve :)

  2. É a vantagem de ser da terra ;)

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