Dia de Mimo

Eles vestem de vermelho e ocupam a sala todas as semanas. Eu não os convidei e não gosto de os ter por lá, mas é sagradinho que eles vêm. Não se pode conversar enquanto lá estão. Não se pode pedir um olhinho no arroz que está a cozer. Não se podem fazer perguntas parvas (e por pergunta parva entende-se toda e qualquer informação que se peça acerca da natureza do que está acontecer: geografia, sociologia, táctica, guarda-roupa, etc…). Não se pode fazer nada. Não adianta fazer nada. (Passear de fio dental em frente à TV e oferecer certo tipo de favores, nem chega a qualificar-se como distracção nestas alturas, por isso já não é sequer coisa que se tente).  
Eu podia zangar-me, estrebuchar, clamar vingança, começar uma greve de qualquer coisa, mas quando os vestidos de vermelho saem da sala como saíram ontem, a tristeza que deixam é tanta que me atinge também. E a tristeza é uma coisa tão poderosa que faz com a minha raiva se desfaça em mimo.
Tadinho. Tadinhos.

7 comments

  1. Me

    Foi sem dúvida uma tristeza mto grande. Eu, que já me vou tentando n agastar tanto com o futebol, quase q senti vontade de chorar. Foi triste. Mas há coisas piores.

  2. Jiboia Cega

    Precisamos como de pão para a boca e a mulher que melhor compreender isso terá a nossa benção eterna :)

    Aquilo ontem amachucou-nos mesmo :(

  3. Vic

    A sério, se a geração que nos gerou não tivesse feito de coisas que deveriam ser de descontração e sã convivência, em embates de vida ou de morte, nunca uma coisa que deveria significar um hino à vida e à alegria, se tornaria em algo doloroso.

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