Eu e o John num drakkar

Como pessoa de altura ligeiramente acima da média não tenho outro remédio senão dedicar-me à adoração obsessiva dos vikings. É uma actividade que, por acaso, até faço com uma perna às costas. Posso ter arcaboiço de valquíria, mas tenho muito jeitinho para ginástica acrobática.
Em príncípio qualquer viking serve, não sou esquisita: podem ser escandinavos, descendentes de escandinavos, aparentados de escandinavos, da família Skarsgard, louros, morenos, carecas, contemporâneos ou dos de antigamente.
Por mim tinha uns dois ou três a viver lá em casa, desde que fossem sempre maiores que eu, tivessem caras de maus e me deixassem guardar-lhes os machados de duplo gume no bengaleiro. Até lhes mandava construir uma sauna onde está o poliban, aquele que só serve para guardar a roupa para passar a ferro. Isso é que era. Podíamos sentar-nos lá todos em rodinha, a defumar que nem salmões, em verdadeira comunhão de espíritos e de fluídos, enquanto ouvíamos John Grant e degustávamos smorgasbord.
O John Grant, já agora, é um viking americano amoroso, mas com muito azar ao amor, cuja música deve ficar a matar com paredes de madeira e gotinhas de suor em peles desnudas. É que o John é um viking homossexual e eu gosto tanto dele que até ponho likes nas fotos deprimentes que ele publica no facebook, onde somos amigalhaços dos antigos.
O seu primeiro disco, Queen of Denmark, é sobre uma separação dramática. Tenho a sorte de não o compreender totalmente, mas há uns anos devorei-o com paixão. Para o segundo disco, enfiou-se meses a fio na Islândia, a compor e a partilhar fotos e momentos especiais com os fãs. Tinha acabado de descobrir que é mais uma vítima do HIV, coisa que eu já não achava possível acontecer nos dias de hoje, e achou por bem recompor-se à sombra do Scartaris. O senhor tem uma história de vida que não lembra a Loki.

(batam-me se me continuar a armar enfiando referências gastronómicas-literárias-históricas-mitológicas escandinavas neste texto que era para ser só um grande “I Love you John”!)

O resultado da hibernação islandesa está a ser considerado genial e o vídeo “Pale Green Ghosts” é daqueles que faz empalidecer de vontade de conjugar o verbo ir.  Quando passará por aqui o próximo drakkar?
(oops)

E se pensam que me lembrei desta conversa dos vikings por causa daquela série que anda aí e que tem um genérico com outra música do caraças, talvez tenham razão, mas não vos darei o gostinho da certeza.

21 comments

    • Alexandra

      Ora, por quem sois… mas chatinho “chatinho” em pessoa ou só na música? É que eu, quando não estou a ouvir guturais e pedal duplo, tenho de descansar a cabeça com coisas assim dengosas…

    • Alexandra

      Há uns anos tive uma colega que me pôs este bicho destes singers-songwriters e… olha, trabalha-se bem ao som destas coisas, é o que te digo. Se for o Eddie ou o Jeff eu ponho-me a cantar e faço erros nas artes finais. :P

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