Irmãos e Irmãs


Os irmãos das minhas avós, se somados assim por alto, mais bastardo menos bastardo, chegam perto da vintena. Ou chegaram, em tempos. Tantos, tantos, que ainda não acabei de os conhecer a todos.

Ontem risquei dois da minha lista: o tio Augusto e, envergonha-me dizer isto, o tio António ou Francisco ou José ou Alfredo. No meio de tanto beijinho (as dores que tenho hoje nas minhas ricas costas!) e tanto primo e tanto ramo de flores, varreu-se-me o nome deste senhor. Uma perda lamentável, digo-vos com sinceridade, porque este novo tio-avô merecia muito mais consideração da minha parte. Ora vejam: oitenta e dois anos, visão perfeita, memória impecável. Passou o tempo a confundir Alexandra, a Grande com Irmã, Um Pouco Menos Grande, quinze anos mais nova, vinte quilos mais leve, cinquenta vezes mais loura, cem vezes mais simpática.

Oitenta e dois anos, visão perfeita, memória impecável. Ou vamos assumir que sim.

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Lá em cima não é o meu tio-avô, é o Picasso do Aaron Baggio, mas até que são parecidos

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