Jô Caneças vs Fernando Ribeiro

A Bad Girl reparou, e muito bem, que uma destas manhãs a palavra “lúxuria” foi mal interpretada na SIC. Aliás, mal interpretada é um eufemismo, a pobre da palavra foi enxovalhada, espezinhada, arrastada pela lama. Não é coisa que se faça a uma palavra que me é tão querida, por isso protesto!

Acham então os meninos das “Manhãs da Júlia” que “luxúria” vem, como grafia e pronúncia o indicam, de “luxo” e que, portanto, é legítimo meter para ali ao barulho, sem parental adviser nem nada que nos avise para nos agarrarmos bem, a luxuosa-luxuriante Jô Caneças. E as suas malas, claro.
Ao ler esta pouca-vergonha, o meu estômago deu duas voltas e os tentáculos da salada de polvo que comi há bocado enroscaram-se-me logo pelo esófago acima. Para tentar acalmar a minha perturbada digestão, deixei-me escorregar em flashback, até ao dia em gravei numa cassetezinha a voz do Fernando Ribeiro, dos Moonspell, a dizer, num programa de rádio, que de todos os textos a concurso, tinha gostado mais daquele de Alexandra, a Grande, ainda não conhecida por esse nome, sobre o tema da Lúxuria. Precisamente.
E como se abordava em semelhante opúsculo, esse que me deu um camarote grátis no concerto de lançamento do mal-amado álbum Sin/Pecado, o meu pecado capital preferido? Falava eu de lojas na Avenida da Liberdade nessa obra? De resorts nas Maldivas? De anéis Tiffany? Nem por isso.
A prostituta da Babilónia, essa estava lá, junto com referências a rituais mesopotâmicos e saborosos frutos proibidos da tradição judaico-cristã.
Música para os ouvidos do Fernandinho, achei eu e parece que que ele a ouviu.

Não estranho que na SIC não se saiba o que quer dizer lúxuria porque já me aconteceu antes deparar com este pequeno problema. A caminho do Coliseu, no dia do Sin/Pecado, o lindo metaleiro louro a quem resolvi oferecer um dos meus bilhetes grátis, perguntou-me o que era exactamente isso da luxúria. Após explicação detalhada da minha parte, resumiu a coisa nestes termos: “É comer bué gajas, não é?”
Um luxo, digo eu.

14 comments

  1. Ricardo

    Olha que o Sin / Pecado hoje em dia é bastante bem visto, que o metaleiro, ao contrário da crença popular, é um bicho que também envelhece, sabendo depois apreciar melhor coisas que em tempos lhe pareciam mázinhas.

  2. Anónimo

    Tb já tinha lido o texto da bad e a seguir a isso deparei-me com um artigo numa revista feminina (vogue se não me engano) que fazia exactamente o mesmo erro! E já há uns meses tb tinha ouvido alguém numa reportagem televisiva falar de luxúria como sendo “uma vida de luxos” ! Pelos vistos está a tornar-se comum…

  3. LeThaRGiCA

    Dificilmente, acho, veria os nomes Jô Caneças e Fernando Ribeiro(Moonspell) na mesma linha. Parabéns pela criatividade xD

    Quanto ao Sin/Pecado: 1º estranha-se, depois entranha-se. [Mute. Hanged Man, entranhadas desde a primeira audição.]

    E já agora, fiquei com curisiodade desse texto aclamado pelo Fernado :)

Post a comment

You may use the following HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>