Nacional Geographic

Chegou a altura do ano em que há muitos momentos em que me sinto estranhamente normal e acompanhada, satisfeita até, apenas para num piscar de olhos passar a protagonista de um episódio pesadelo sobre criaturas bizarras do Nacional Geographic.
Começa assim: Olha tantos estrangeiros altos. O comboio é só pessoas de tamanho normal. Olha eles a perguntarem-me qual é a saída para Belém e a ficarem tão espantados por não terem de olhar baixo. Olha eu a achar que as mulheres da minha altura é que são interessantes e que mais vale comprar uns calções mais curtos, quero cá saber se ficam 2 metros de perna de fora.
Depois dá-se catástrofe: A estrangeira em calções faz uma aproximação a um macho português. Inclina-se para lhe mostrar um mapa. Inclina-se muito. Parece uma louva-a-deus fêmea. Vai devorá-lo!! E horror dos horrores, aquilo sou eu. Alexandra, o insecto gigante. Só não tenho pernas brancas leitosas nem dinheiro para Birkenstocks.
Oh well, o que vale é que não tarda nada é Inverno outra vez e posso mudar de canal.

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Ilustração deClaudia Klein

13 comments
  1. O Louva-a-Deus fêmea, minha querida, só devora o macho depois de o “devorar” (if you know what i mean). Não depois de lhe pedir informações! Metem-se a ver programas de animais já em crescidas e depois dá nisto…

    1. Tecnicamente é durante o acto em si e só porque ficam com muita fome. Bem nutrida, não me parece que a Alexandra possa ser um risco para os transeuntes camones.

      1. Bem nutrida? Mas se até ando a comer menos cereais de manhã!! A sorte deles é que não aprecio gajos louros.

    2. Confesso que mudo de canal quando há insectos da família dos louva a deus e gafanhotos, não os suporto. Mas sei muito bem o que fazem as danadas aos namorados. E eles gostam, parece.
      E antes isto que novelas.

      1. Gostam pois. Fazem até parte daquele grupo (eles e paraquedistas a quem o paraquedas falhou) que nunca apresentaram queixa alguma….

  2. Details, details meu amigo Troll. No fundo o que conta é que, nos louva-a-deus como nos homens, perde-se a cabeça mas acabamos felizes. Quase sempre, vá!

  3. ahaha mas essa altura toda deve ser optima para ver concertos… pois quanto a mim, nem sei porque vou a festivais, acabo invariavelmente e vê-los no ecrã ao lado do palco, mais valia ficar em casa!

    1. Na mouche, Sue. Remeto-te para o meu post inaugural sobre essa mesma temática.

  4. o que conta é a alma, essa não se mede

    1. A minha também é grande, espero… :P

  5. Eu não sou assim tão entusiasta do aumento da média de alturas em transportes públicos. É certo que o camone em férias refresca a paleta de cores tanto ao nível de pernas como de indumentária mas, ainda assim, o nível de altura médio de sovacos também aumenta. E o camone de férias, por mais leve e fresco que esteja, nem sempre nos transmite apenas uma boa impressão quando se debruça junto a nós.

    1. Tens uma certa razão, em particular porque normalmente estou um nadinha acima da nuvem odorífera estival e estes meninos trazem-na até mais perto do meu nariz. Por outro lado, para quem costumava apanhar um certo autocarro com destino a Paio Pires… peanuts, Mak. O suor estrangeiro é sempre melhor que o nacional, está claro.

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