Não me envergonha por aí além… #9

… ser uma mulher adulta e inteligente que, desafiando estas duas qualidades, se desfaz em suores frios, começa a ver tudo preto ao canto dos olhos e sente o coração a fazer cócegas à amígdalas, de cada vez que tem de pegar num carro. Sózinha. E se o deixar ir abaixo logo à saída do estacionamento, podem contar com uma viagem de choro histérico e muitos ziguezagues. Sou uma mulher adulta doente, eu sei.
A triste história desta patologia: tirei a carta no meio de Lisboa aos vinte e poucos, não chumbei a nada e o meu instrutor até dizia que eu fazia estacionamentos de “dar com os peitos num marreco deitado” (se alguém me conseguir explicar o significado desta expressão, agradeço. Nunca tive coragem de perguntar ao homem, porque não me cheira a coisa boa, e ele agora já deve ter morrido). Os meus progenitores nunca me ofereceram veículo próprio e foram sempre muito relutantes a emprestar-me os deles. Quando o faziam, correu sempre tudo lindamente, nunca matei ninguém nem pisei traços contínuos. Uma vez andei 3 km com o travão de mão meio puxado. Só isso.
Passou tempo e mais tempo.
Fui co-proprietária de um clio cinzento, muito jeitoso, muito dócil. Cheguei a levá-lo sózinha até Rio Maior, vejam a minha audácia. Vendeu-se o clio, comprou-se uma coisa maior, rabuda, altaneira. Direcção assistida, mais uns não seis quês, mas tudo em grande. Arranjei um ambrósio para me levar a todo o lado, nunca peguei no bicho eu mesma e ganhei medo ao acto de conduzir. Muito medo. Até que este fim de semana comecei os treinos. Conduz-se muito bem, ainda não matei ninguém nem pisei traços contínuos. Mas os suores, Alexandra, o preto ao canto dos olhos.
Tem de ser miúda, tem de ser. Não atravessem fora das passadeiras.

 

34 comments

  1. panties on the rope

    odeio conduzir, nao sei conduzir, e pior, tenho k conduzir todos os dias… …
    no entanto em x de chorar qd deixo o carro ir abaixo, começo a rir como uma atrasadinha mental de nervoso e nao consigo parar até uns kms à frente… … é tão vergonhoso quanto chorar parece-me!

  2. Joana :)

    Go Alexandra! Só custam mesmo os primeiros dias, vais voltar a ser uma óptima ” pilota” não tarda nada! :)
    P.S. – de certeza que o facto de atravessarmos na passadeira é segurança garantida? :P

  3. trollofthenorth

    Alexandra, antes esses suores frios, que no mínimo te fazem atenta à estrada, do que a confiança dos fittipaldis fanfarrões que andam por aí a passar a ferro malta nas passadeiras. :)

    O Ambrósio também te dá Ferrero Rocher? -_-

  4. Vic

    Eu diria, tenham cuidado mesmo nas passadeiras. Metam um pé e tirem como se faz na praia para ver se a água está fria. Façam este exercício várias vezes e quando virem que não há qualquer carro suspeito com uma rapariga a conduzir com a cabeça fora da janela, acelerem e corram para o outro lado.
    Já agora, um horário dos exercícios de condução aqui expostos, davam jeito aos candidatos a vítimas :)

  5. Mak, o Mau

    O teu caso está longe de ser grave e fazes bem em voltar aos treinos e ao tiro ao peão. Complicadas são as situações em que a malta julga que conduz lindamente e está muito, mas muito longe disso…

  6. Miss S

    Conheço pessoas que transpiram imenso ou ficam todas a tremer assim que acabam de conduzir. Eu ainda estou a tirar a carta, mas sempre que acabo uma aula estou cheia de calores e toda vermelha.
    Respira fundo e conseguirás! ;)

  7. S*

    Eu até não sou má a conduzir, mas estacionamentos não é comigo. Se tiver de parar numa subida, para voltar a andar fico cheia de suores frios.

  8. Anónimo

    És grande, Alexandra :) Passei pelo mesmo e hoje em dia quase não vivo sem o meu carrinho. Relaxa e leva os treinos ao teu ritmo, não tarda nada estás aí uma super piloto.

  9. RBM

    Well alexandra, eu tenho a carta desde os dezoito, implorei-a aos meus pais que quase me fizeram optar entre ela e a viagem de finalista a lloret del mar, choraminguei com a infelicidade atroz que seria abdicar de uma das coisas, recebi a carta, tirei-a em 3 meses, a fazer aulas de empreitada, não chumbei tb a nada e….nunca mais peguei num carro. Já lá vão uns bons anos (cof cof quase uma década) mas a verdade é que se no inicio tinha aquele medo que dizem ser normal num principiante, agora tenho já tomou proporçoes estúpidas. Também penso voltar aos treinos, mas…

    • Alexandra

      Aproveita a minha embalagem. Treinamos as duas! A ver quem é que consegue levar o carro para o parque de estacionamento do el corte inglês no fim de Verão (ah, ah, risada sádica!)

  10. Uena

    Go go go! U can do it!!

    Adoro conduzir desde o primeiro minuto em que me enfiei ao voltante de um carro.
    Vou aproveitar a deixa e falar sobre o assunto no meu estaminé! :)

    Mas note-se que quando a carta saiu fazia o roteiro antes de sair de casa, evitando subidas e stops em subidas.
    Das mãos suava frio! Córror!

    • Alexandra

      Ah, ah! Também dou umas voltas jeitosas para evitar uma subidazinha de nada e só saio de casa se conseguir visualizar antes o local onde vou estacionar.
      Obrigado pelo incentivo!

  11. Anna Blue

    Eu, à semelhança de outros testemunhos acima, também sofria dessa fobia. E se era fobia. Suava, stressava, sentia que paralizava à frente do volante e no fim de andar alguns metros já estava com uma dor de cabeça brutal. Depois, a necessidade aguçou-me o engenho e chegou o dia em que decidi que não podia continuar a perder 4 horas (leste bem, 4 horas) em transportes públicos por dia. E como que por magia (leia-se intensa mentalização) ultrapassei o medo e hoje, conduzir é algo que me dá muito prazer.
    Tu és grande, tu consegues (mantra de iniciação :D)

    • Alexandra

      safa, isso era muita hora… a mim, o carro não resolve a questão do tempo que demoro a chegar ao trabalho, mas não me importo muito porque tenho que ler em alguma altura do dia e esta é a melhor.
      Quanto ao resto… sou grande, vou conseguir… já estou a fixar o mantra!

  12. Anónimo

    Das primeiras vezes que conduzi sozinha ia sempre toda nauseada e na véspera não pregava olho.
    A primeira ida à praia foi de pesadelo (não matei ninguém nem pisei traços contínuos), quando lá cheguei não queria regressar e no dia seguinte doía-me o corpinho todo!

  13. A Loira

    Como te compreendo. Tirei a carta lá na minha terra e depois vim para Lisboa e tinha tantos ataques de nervos que deixei de conseguir conduzir, começava a rir mal punha o cinto e só parava no destino. :-)

Post a comment

You may use the following HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>