O dia dos prodígios

Gosto muito da Lídia Jorge, mas há um livro dela que me ficou entalado, nunca passei das primeiras páginas. Há lá uma rapariga que lava uma janela, é tudo o que me lembro de ler antes de o pôr de lado, com pena, porque o nome “O dia dos prodígios”, é daqueles que promete. Chateia-me tanto gostar muito de um nome e não gostar nada daquilo a que ele se refere. Como aquela banda americana do século passado, os Cypress Hill. Um nome lindo, apetece repeti-lo, ter uma banda assim quando se for crescida, depois vai-se a ver, que música de treta.

Afinal o que é um dia de prodígios? Aquele em que descobri que havia por aí um tipo que se intitulava Mak, o Mau, e sabeis do meu fraco por cognomes, e me apaixonei por ele. Figurativamente? Tanto quanto pode ser figurativa a paixão por belas frases e melhores ideias. Namorei-o em silêncio algum tempo até que aconteceu o inevitável: quis dizer-lhe coisas. De igual para igual, ó ousadia. Este blog é um pouco o resultado disso. Quando o criei queria, meio inconscientemente, chegar aos prodígios, os escritores de blogs por quem estava enamorada. Plural, sim, que nestas coisas das letras sou descaradamente polígama, bissexual e um nadinha perversa.
Prodigioso foi o dia do seu primeiro comentário neste blog, prodigiosas as primeiras trocas de mensagens e, com mil demónios, prodigioso o dia em que confirmei ao vivo e a cores que o homem existia mesmo. E até era maior que eu. Apeteceu-me pedir-lhe um prodigioso autógrafo, e foi isso mesmo que lhe disse. Alexandra, a descarada.

Mak, agradeço-te por estes anos prodigiosos d’ O Bom, o Mau e o Vilão. Nunca vi o original, como acho que já te disse, mas vou gostar sempre muito mais da tua versão. As tuas palavras foram tiros certeiros, balas com efeito, duelos ganhos ao pôr do sol. Ninguém brinca com as frases como tu. Brindo a isso com um shot de cowboy. Ou dois, que já passa do meio dia.

Não sei a que prodígios se refere Lídia Jorge no tal livro que não li, mas acho que um dia em que o Mak, o Mau, menciona Alexandra, a Grande (ainda que cifrada e entre muitos e grandes outros), no seu derradeiro post é concerteza o dia mais prodigioso de todos.

16 comments
  1. o teu link para o Mak não funcemina!! (mas eu li-o quando foi publicado e claro que não posso deixar de vir aqui gabar-me de que te reconheci logo na figura histórica lá no meio dos “outros” :P)

    1. Muito obrigado pela dica… um copy paste mal feito, acho. :P
      Estava mesmo agora a pensar em ti, acreditas? A escrever um e-mail que dizia, “envio em anexo os ficheiros a.i.”… :PP

      1. ahaha, e acreditas que desde a primeira vez que me apelidaste de a.i. com esse sentido também eu tenho sido obrigada a fazer umas cenas “artísticas” nesse infame programa ? A vida tem cá umas coincidências, já dizia a grande mestra da literatura de cordel dos tempos modernos. E de todas as vezes me lembro de ti também ;)
        (aquilo dá-me cabo dos nervos e tenho sempre de ligar a uma rapariga simpatiquíssima de empresa de design fornecedora da minha, que me dá sempre dicas valiosas)

        1. Ehehe, se precisares de mim, também dou uma ajuda. Aquilo pode ser diabólico, até para mim, mas há pior.

          1. realmente, o Illustrator é terrível para um aselha, sobretudo quando se tenta aplicar a (pouca) lógica (também aselha) que foi acumulando no Photoshop. Mas parece ser uma maneira inteligente dos designers manterem os plebeus afastados do meio.

          2. Ora bem!
            (não me faças é falar daquele mês diabólico que passei a transitar do freehand para o illustrator… ainda choro, que estamos todos meio em clima choramingas…)

  2. Exacto. A plebeia aqui sou eu, obviamente, porque se vocês soubessem o quão distante é a minha área de formação dessas coisas bónitas artísticas até davam um salto na cadeira (Alexandra, quem me dera, mas depois tinha de te pôr em contacto aqui com o pessoal da chafarica e não ias gostar de lhes andar a fazer améns, acredita). Enfim, é o que dá ter um ofício com ossos muito duros de roer.

    1. Se pagarem bem, eu rezo!! Até comungo! :P

      1. :D
        Francamente, não faço ideia se pagam muito ou pouco por um “serviço” deste género, mas em termos qualitativos nunca pagarão bem, porque qualquer valor que paguem não compensa as chatices que terias por teres de andar às ordens de pessoas que mudam constantemente de opinião e que acham que a culpa de as coisas não correrem bem nunca é deles, é sempre dos outros que são incompetentes.

        1. são todos assim, nada de novo…

  3. Nada como um link caído por terra para mostrar ao comum dos mortais que anos e anos a levar as pessoas ao engano podia dar nisto.

    Arranjem rapidamente uma senhora gorda para chorar e colocar um fim a isto, porque eu a fazer as vezes de uma senhora gorda a chorar copiosamente por causa de coisas assim é coisa que não queremos, pois Mak, o Mau é uma memória bem melhor que Mak, o Mariquinhas-pé-de-salsa-gorda-que-chora.

    E, só porque tu mereces, enquanto eu não lanço uma linha de merchandising vintage a puxar ao saudosismo – http://www.frank-stein.net/boys/bear-detail

    1. :)))) Que bom, que bom! Garanto-te que quando as minhas saudades da tua pessoa se sobrepuserem ao meu ódio ao amarelo (que por acaso agora aqui me parece bastante mais verde), vai ser assim que me visto. Vemo-nos por aí, certo?

  4. Bonito de ler, Alexandra.

    1. :) Obrigada, Sr. Gémeo (dessa é que eu por acaso não estava à espera…)

  5. ai mulher só agora é vi isto. então o homem desiste e eu não sabia?

    1. essa é boa… pois, tu chegaste tarde ontem. Mas tem razões válidas…

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