O efeito Bungee Jumping

Dá-se comigo um fenómeno estranho que vale a pena analisar. Sempre que entro num café, desço do comboio ou ando pela rua entre os meus irmãos mortais, não vou montada numa nuvem, mas é como se fosse. Chego tarde ao cinema com toda a gente já sentada? É pior que um desfile de moda. Sou olhada colectivamente num movimento descendente rápido seguido de um ascendente ainda mais rápido. Tantas cabecinhas a descer e a subir ao mesmo ritmo. Uma coisa linda. Chamo-lhe o efeito bungee jumping e passo a explicá-lo:

Os olhos descem, intrigados, da minha cara aos meus pés, passando rapidamente pelo que está no meio com mais ou menos interesse, dependendo do sexo do indivíduo a quem pertencem, e por fim, voltam a subir para a minha cara. Aqui, passa pelos ditos olhos uma expressão de total incredulidade que aprendi a interpretar como: “Ela não traz saltos!”
Ao fim de uns aninhos isto é… aborrecido. Antes ser seguida por paparazzi.
Assim, a grande obra da minha vida tem sido tentar ser discreta. Em tudo. Nas acções, no tom de voz, na maneira de ser, na forma de vestir.

Chamem-me bota de elástico mas não consigo que a minha pessoa conviva ao espelho com mais que um padrão de cada vez. Se uma blusa tiver pontinhos a dançar polka, as calças serão de cor lisa, se numa saia florir um canteiro, a camisola jamais terá riscas. Por vezes, grande maluca, posso permitir-me uma écharpe com um leve padrão sobre t-shirt estampada, mas é só. Tendo muito medo que olhem para mim pela razões erradas.

Mas admiro muito quem faz este mix ‘n’ match bem feitinho. E é por isso que eu queria ser como o fabuloso Fabian, que tão bem mistura as cores e os padrões nas suas meninas. Ó se queria.
E talvez um dia, até ser passear pela rua como a sua She-Ra e ser olhada pelas razões certas.

18 comments
  1. Não sei se te olham com desdem de quem quer comprar ou se é por algum motivo que devia ter percebido e não percebi (considerei a questão dos saltos como sarcasmo). O que eu gostei mesmo foi das ilustrações do Fabian :)

    Já agora, parabéns pelo blog e pela forma como escreves os posts (longe vai o tempo em que a minha mente não se embrulhava toda de cada vez que tento por um texto de pé). Já estás nos feeds ;)

    1. São uma maravilha, não são?
      Muito obrigado pelo resto e para clarificar o teor do post, recomendo-te este
      Vou espiar-te também… :)

      1. Errr… o link que colocaste para ir espreitar vai para o dashboard do wordpress. Tens de colocar isso de outra maneira (ou então diz o nome do post que vou procurar ;))

        1. Ah, boa… NABA! É o meu segundo post – “Não é fixação pelo Colin Farrel”

  2. Tenho uma amiga que descreve exactamente o mesmo fenómeno e que por essa mesma razão procurava não usar saias, vestidos, etc. A mim, que sou minorca, sempre pensei que fosse só vantagens e nunca me tinha passado pela cabeça que isso acontecesse até ela me contar.
    Entretanto mudou de país e o efeito passou a ser muito menos notório.

    1. Tell me about it. Adoro qualquer país europeu não mediterrânico! Ando até a pensar em visitar-te. ;)

  3. Imagino. As pessoas deviam ser mais discretas. Mas que queres? estamos num país de cagatacos invejosos.
    Mas o uso de um só padrão até é um sinal de bom gosto. Não sei se já imaginaste um tipo com calças às riscas, camisa às pintas e casaco príncipe de gales. Havia de ser interessante.
    Vi o blog. É realmente impressionante. O tipo tem talento (mas é como as passagens de modelos no lançamento das colecções: ninguém depois se atreve a usar os prototipos)

    1. Ah, ah, tu gostaste das “nalgas” do outro, eu gosto do teu “cagatacos”.
      E quando aos padrões, tu pensas assim, eu penso assim, mas vai lá perguntar o que pensa muita menina que para aí anda com fixação por padrões 80’s, cortes 70’s e cores futuristas, tudo misturado. Até cansa a vista.

  4. O meu blog nada tem a ver com o teu, mas fui obrigada a escrever o nome. Só para te dizer que passei por cá e gostei. Gostei muito. Voltarei.

    1. Pode não ter a ver com o meu mas tem a ver comigo. Adoro comer!!!!
      Obrigado pela visita e pela dica. Vou espreitar.

  5. Alexandra, és mesmo grande! Sou a amiga ali da Luna e tenho-te a dizer que me revejo no que descreveste. Sim, sou mais alta que a média dos homens portugueses, e quê?
    Também te tenho a dizer que desde que vivo fora até já uso saltos (com 7cm se me apetecer!) e vermelho é a minha segunda cor favorita.
    Mas quando volto a PT é sempre a mesma velha estória. Começa logo no avião. No último foi kk coisa como:
    “Possa, voçê é alta! Tem aí umas pernas, quem me dera!” isto de um senhor 50+, 1.60cm- …

    1. Viva, partner in crime, seja muito bem vinda! Este ano também adquiri uns saltitos e ando a treiná-los devagarinho. Antes era só para casamentos e dava cabo das fotos todos, sempre maior que o noivo, irra!
      Por falar em aviões… como é que esperam que a gente enfie as pernas naquele espacinho? ;)
      Tens um blog?

  6. Oi! Não, não tenho blog. Já tive, mas era péssima a actualiza-lo então deixei as artes de bem bloggar para outros mais competentes.
    Em relação à conversa dos saltos altos, cheguei à brilhante conclusão que o problema nunca fomos nós que somos mais altas que a média, o problema é o desconforto que provoca nas pessoas que se sentem intimidadas com a nossa altura acrescida, desconforto esse que é manifestado com os scans completos que descreveste, comentários desnecessários e inconvenientes (e sem nível) como “é preciso um escadote” ou “és uma cavalona” – tenho um ódio especial por este último.
    Às vezes sou bocado parva e se me apanham num dia torto, são bem capazes de levar com uma resposta tipo: “Estás te a sentir mal, é? Pois eu não!”. Mas infelizmente esta coragem toda não é todos os dias – mas devia!
    Ao fim ao cabo, somos mulheres tal e qual como as mulheres de 1.60. Temos o mesmo direito aos saltos altos, esse fantástico acessório de moda, que nos põe com aquele power walk. Não há nada pior que ires a um black-tie de sabrinas! Screw them!
    Breve estou a iniciar um movimento: “Tenho 1.80+ e uso saltos altos, e quê?”.

    1. Não sei se não vou tarde para aprender a usar saltos e não parecer totó, mas funda lá o movimento que eu apoio.
      “Cavalona” é palavra que não incluí de propósito na minha lista porque me repugna mesmo. E se a tenho ouvido. Que ideia, chamar isso a uma senhora. Não é exactamente o mesmo que dizer a um gajo musculado que é forte como um touro.
      Para que país de gente alta e tolerante te mudaste tu?

      1. Eu fico mesmo chateada com a ‘c’ word, do género “não fales para mim na próxima meia hora que te explode na cara.”.
        Tou em Londres :)

  7. Apresentando (assim, a modos que, meio abrasileirado – que isto do acordo ortográfico tem destas coisas):
    – Alexandra
    – 24 anos
    – 1.83 m (sem saltos, porque (e também) calço 43!)
    Ora, é um prazer.

    1. O prazer é todo meu, Alexandra! Já não sou espécime único! Isso do 43 é que foi ao lado. Para já estou no 42 e já é mau o suficiente.
      Onde compras os teus sapatinhos?

  8. Ai está a pergunta!
    Não compro. Não existem 43 femininos. Existem sim os sapatos/sapatilhas unisexo (como tanto gostam de lhe chamar), que são assumidamente 95% masculinos e 5% (em dias de sorte) femininos.
    Descobri que, na La Redoute – Taillissime, lá se arranja 43 em alguns modelos (nem sempre muito bonitos, diga-se).
    O melhor episódio bungee jumping que me aconteceu (ainda que inocente, quero acreditar), foi o de uma menina mesmo pequenina no Carnaval aqui a uns anos… Eu levava umas antenitas na cabeça, tipo de fada, e ela depois dos cerca de 2minutos que levou a subir dos meus pés até às antenas e por ai abaixo de novo, diz à mãe “Mãe, mãe! É uma girafa!!” =) Foi lindo, e querido. Mas foi mau. Muito mau. E sorri.

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