O Jonas do Benfica

Este título até podia ter a ver com alguma nova contratação do clube da Luz (tanto quanto sei, não é impossível, até me soa bem) mas é, na verdade, uma referência ao filme “Master and Comander – O Lado Longínquo do Mundo” e, ao mesmo tempo, uma advertência às pessoas que ainda acham que é boa ideia levarem-me ao estádio para assistir a jogos de futebol da sua equipa.
Momento pedagógico-elucidativo: Um Jonas é um elemento da tripulação que os marinheiros de outros tempos acreditavam trazer azar para a viagem. Normalmente acabavam como pasto para barracudas, que era para ver se a tempestava amainava ou se era avistada terra antes de morrerem todos de escorbuto. Se pensarmos no estádio da Luz como um grande navio eu sou um grande Jonas. Muito prazer. Contem comigo para afogar o grumete, partir em dois o mastro da mezena ou fazer com que o Benfica perca dois a zero. É claro como água das Caraíbas (ou como a cerveja sem álcool que se vende nos quiosques “A Catedral”).
As pessoas costumam querer que eu as acompanhe aos sítios mais improváveis. Acho que é porque eu me porto muito bem. Aturo tudo bem disposta e caladinha (a tomar notas para escrever posts, claro), não pergunto porque é que estamos todos a gritar “Cardozo” (nem quem é o Cardozo…) e até me entusiasmo um bocadito por solidariedade. Grito quando toda a gente grita, canto quando toda a gente canta, sou aquilo que se pode chamar uma acompanhante de luxo. Veja-se o caso Bieber. Um final feliz. Quer dizer, a minha sobrinha chorou um bocado no fim, mas tenho a certeza que não ficou a pensar que foi por minha causa que o miúdo voltou lá para a terra dele sem a pedir em casamento, no fim daquele concerto engarrafado,
O caso do futebol é toda uma outra história. Se eu entrar num estádio, seja ele qual for, a equipa pela qual eu supostamente devo torcer, pode considerar-se condenada. Kaput. Finito. Especialmente se tiver um guarda-redes careca vestido de amarelo.
Sábado passado, sentadinha no lugar 20 do sector 19, eu senti as mais fortes vibrações jonesianas da história a emanarem da minha pessoa em direcção ao relvado. Até a águia Vitória as sentiu, ali a esvoaçar em círculos, aflita, a ver se detectava o Jonas para lhe acabar com a raça. E eu encolhida a pensar, é que nem vale a pena fazerem o aquecimento, meninos. Arrumem as chuteiras e vão-se embora. Sempre me poupam a 90 minutos de seca. Teimosos, pá.

E se estão a sentir falta da baleia nesta história… esqueçam. Estou fortíssima nisso dos abdominais do Exercise TV.

7 comments
  1. Percebo-te. Também estive lá sentado.

    (e também tenho feito abdominais, mas comecei tarde e gosto da boa vida)

  2. Repara, o próprio do Jonas é um amuleto e embora no Master&Commander eu prefira o tipo que fica um uma moeda embutida na cabeça (devido à tatuagem Hold Fast nos nós dos dedos), na história que se conta, é ele que originalmente pede para ser atirado fora de borda, por ter uns atritos pendentes com o senhor lá de cima.

    No entanto, não te recomendo que, em plena bancada da Luz te vires para os adeptos e digas “A culpa é minha, a culpa é minha”, pois arriscas-te a uma de duas soluções: atiram-te borda do estádio fora e começa uma chuva de golos / metem-te em campo e esperam que comeces a fazer as vezes do Cardozo.

    Não sei qual delas a pior…

  3. Queira Neptuno que continues a navegar nesse navio vermelho, eternamente afundado junto a Colombo. Nós, os que navegamos no imponente galeão azul, contamos contigo.

  4. Tens que levar uma pata de coelho, mas daquelas boas, de coelhos que não metem os pés, as patas, não metem água…wtv…

  5. Mas, mas… não escreves desde dia 5?? Está tudo bem contigo? Espero sinceramente que estejas a tirar umas grandes e boas férias :) Beijinhos grandes

  6. Andamos armados em difíceis?? Terei que me chatear???

  7. […] desiludem. Finais que tardam em ser finais. E depois, um final que nada teve de mesmice. Afinal, já não dou azar aos iluminados. Que tristeza. Era o meu único super-poder. Isso e calçar […]

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