O livro pela capa

Ando embeiçada por um espanhol. Chama-se Enrique de Hériz e escreveu um livro chamado “Mentira”. Achei-o a minha melhor leitura de 2013 (o que também não era assim coisa difícil, com tanto policial que me passou pela frente). “Mentira” tem filosofia, antropologia, história, viagens, pequenas histórias dependuradas de histórias imensas, personagens ricos e, claro, mentiras. Mentiras que acontecem e que se deixam acontecer. Mentiras que vão acontecendo. Todas muito bem escritas. Que raiva Enrique, que inveja. Eu é que devia ter escrito uma coisa assim, que arranja maneira de ficar connosco, muito depois de lhe termos lido a última linha (e devolvido o livro às prateleiras da biblioteca).
Fiquei com vontade de ler mais e, por sorte, também cortesia da biblioteca, encontrei agora o “Manual da escuridão”, mas não estou a gostar tanto como do anterior. Gostei muito do título, isso sim, ainda mais em espanhol, Manual de la obscuridad (abram lá essas vogais e rolem o r como deve ser)! É mais místico, mais maléfico, embora a história, até ver, não o seja. O personagem principal é um mágico e a história da magia começa por estar muito presente. Ora eu não gosto de magia, mas gosto de escolher livros pelas capas e essa é a razão que aqui me traz. Esta é a capa do livro, da edição portuguesa, a que estou a ler.

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Eu teria pegado neste livro fosse qual fosse o autor. Em lado nenhum diz que é sobre um mágico. Aliás, suspeito que com o desenrolar da história, a magia há-de acabar por ficar em segundo plano. Até ver, parece-me perfeita e estou muito contente a passeá-la por tudo quanto é transporte público. (Parabéns Rui Garrido, os nossos caminhos estão sempre a cruzar-se. Para quando uma colaboraçã0? :P)
Estas são capas de outras edições que pegaram no tal maléfico, no mágico, no elemento freak show sensacionalista:

manualobscuridad

O que é isto? É para assustar as boas almas que gostam de ler mas abominam coelhos a sair de cartolas? Que medo, não lhes pegava nem hipnotizada.
Depois temos esta, que pelo contrário, pretende matar a audiência de aborrecimento (Eu gosto de sobriedade, mas fica muito aquém do espírito do autor):

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Moral da história: As capa dos livros são mesmo muito importantes. Repetir cem vezes.

O quê? Só vais dizer isto? Pois, parece que sim. Já só tenho dois minutos antes de correr para o comboio com o meu “Manual da Escuridão” na mão e prefiro usá-los a contar-vos porque é que eu não gosto de magia. Um minuto… pronto: Digamos só que envolve um mágico de bigode num casamento, uma partenaire muito involuntária, momentos incrivelmente desconfortáveis e fiadas de lenços coloridos que pareciam nunca acabar. Yuck!

 

6 comments
  1. É… acho que todos avaliamos o livro pela capa, se não muito, pelo menos um pouco. É como avaliar uma pessoa pelo que veste ou calça. Ou um bolo pelo aspecto. São os olhos, que também comem.
    A capa que me faria levar o livro é a última, a do aborrecimento. :-)
    Muito bem escrito, este post.
    Beijos,
    Susana

    1. É muito bonita, mas faz-me pensar um pouco naqueles Saramagos que havia antes, da Caminho, não diziam nada sobre o interior.
      Obrigada, Susana.

  2. Percebo-te bem. Sempre que entro numa livraria apetece-me comprar o Em Busca do Carneiro Selvagem, do Haruki Murakami. SÓ pelo título.

    1. E olha que é bem giro, capa e tudo. Não chega ao “Kafka à Beira Mar”, mas escorrega muito bem.

  3. normalmente gosto de escritores espanhóis. Este não conhecia, já vai para a minha listinha de livros a verificar.
    (gosto muito do Montalbán e do Eduardo Mendonza, este tem um livro hilariante,o Sin noticias de Gurb – há em português também; e numa feira do livro descobri um policial que gostei muito também, o “Em nome do porco” de um Pablo Tusset , olha aqui a capa http://static.fnac-static.com/multimedia/PT/images_produits/PT/ZoomPE/3/1/5/9789722032513.jpg)

    1. Boa, boa, vou-me agora virar para os hermanos e espreitar essa tua selecção.

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