O Mineiro, o Cigano, o Escritor e os Amantes Dele

Gosto muito de D. H. Lawrence. Quase tanto como de ver o Sean Bean a fazer de Mellors. A crème de la crème do conceito bonito-rude (que fui eu que inventei, já agora, e consiste em pegar num tipo bonitinho, amarfanhá-lo um bocado, largá-lo no fundo de um bosque só com um canivete suíço e depois esperar que ele volte para nós, sujo, barbado, e cheio de apetite. Se pelo caminho tiver perdido a camisa de flanela aos quadrados, ou ofertado a dita a uma criancinha perdida, melhor ainda.)
O D. H. percebia isto tudo muito bem. Aliás, na descrição do corpo masculino e criação de momentos dolorosos de tensão sexual, não há igual. Além disso tinha muito bom gosto no que toca a locais de veraneio. Eu devia ter percebido logo, mas às vezes sou um cepo.

Li “O Amante de Lady Chaterley” à socapa, quando era muito novinha, e gostei, mas não compreendi logo-logo a importância ou o significado de pessoas que se “expulsam juntas”, acho que era assim que lá dizia. Depois fui relendo e saboreando pelos anos fora até que (também) lá cheguei. Yupi. Esta semana li “A virgem e o cigano”, uma short novel muito engraçada e mais ou menos contemporânea do “Amante”. Aquela conversa toda sobre os quadris do cigano foi demais para mim. Pá! Wikipédia comigo e a confirmação: o Lawrie era gay. Ou bi, vá, que uma pessoa nestas coisas nunca sabe. E, para além de ter reparado na maneira como a genialidade e a homossexualidade se acompanham ao longo da história, dizia coisas destas:

“I believe the nearest I’ve come to perfect love was with a young coal-miner when I was about 16.”

D. H. és cá dos meus. Muito gostava eu de ler também esse romance do mineiro, criatura de rudes mãos e bonitas coxas, imagino. E pronto, isto foi só para não dizerem que não meto a colherada no assunto quente da semana, agora que ela se finda.

Anyway, Taormina, bungavílias, pôr-do-sol, bonitos-rudes forever.

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Acima, um espécime bonito-rude do Jan Feindt, em cores tendência, claro.

 

8 comments

  1. trollofthenorth

    É o Vincent Gallo depois de uma forte exposição a raios gama.
    #Modo geek off#

    De pessoas que se “expulsam juntas”, só me lembro de ler assim novo, Henry Miller. E a Gina. Mas o Plexus tinha mais conteúdo.

  2. Vic

    Essa conversa toda é para dizer que os hetero são todos umas bestas? Grande contributo deste hoje para a causa dos gay! “Oh! mãe, eu quero ser gay para poder ser genial!!!!”
    Eheheheh! Brincadeirinha, acho que tens razão, quer dizer ao longo da história há gays geniais, mas são menos que os hetero(se calhar porque são menos também em número)

    E agora vou ser contra a corrente: não consigo gostar do Gallo. E chamem-lhe génio à vontade :)

    • Alexandra

      Antes isso que “Oh! mãe, eu quero ser gay para poder ser fashion!!!!”… ;)
      Isto não era nada sobre o Gallo, mas é sempre bom saber a tua opinião. Eu simpatizo com o senhor, mas não acho genial.

  3. carlos

    Alexandra, tudo bem? Não sou profundo conhecedor da obra do Lawrence, porém neste final de semana adquiri a adaptação (em DVD!) da obra Mulheres Apaixonadas (Women in Love) produzida pela BBC. A produção é bem ousada e inquietante. Você já conhece? Distribuição: Log On

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