O que tem o cu a ver com as calças

Um dia dei comigo numa sessão de autógrafos de Manowar, na Valentim de Carvalho do Rossio. Não era fã, mas passava a vida naquela loja e, já que lá estava, achei que devia prestar homenagem aquele bando de cromos. Cromos de culto, a avaliar pela fila quilométrica de gajos que se formou depois de mim.

Enquanto estava à espera pus-me a olhar para aquelas criaturas de outra época, de cabelos ripados e bigodaças, com peitos inchados e cheios de unto, a sairem de coletes de couro apertados, com tachas e correntes por tudo quanto era sítio. Volta e meia, um deles* piscava-me o olho e passava a língua pelos lábios. Era o mesmo que, quando se levantou por qualquer motivo, revelou que, de facto, o cu nada tem a ver com as calças. No caso dele, o cu não tinha sequer calças. Havia uma tanga de couro preto a espreitar entre duas nádegas raquíticas, no meio de  um inestético vazio de fundilhos. Fantástico.

Endiabrada, lembrei-me que tinha comigo o meu diário gráfico e, muito pertinentemente, figuravam nele uma série de esboços de guerreiros musculosos de espada na mão (don’t ask). Nem de encomenda. Foi esse o papelinho que estendi para o autógrafo. Um por um sorriram-me simpaticamente, elogiaram o desenho, e escrevinharam-lhe em cima a caneta de feltro preta. O último, o das calças, ronronou-me durante um tempo que se poderia considerar embaraçoso, escreveu a palavra “sexo” em português e em letras garrafais na cabeça do meu guerreiro e despediu-se com um lânguido: “Hope to see you tonight”.

É curioso como a testosterona em excesso transborda e se transforma noutra coisa. Pelo menos é o que diz este artigo, que classifica esta capa como uma das 10 capas mais gay da história. Ui. E nós concordamos.

*O rom-rom das calças é o primeiro a contar da esquerda, nesta capa. Um fofinho.
20 comments
  1. Sempre me ri bastante com estes Conan’s de trazer por casa. -«Ah…empunhamos as nossas mighty swords enquanto bebemos hidromel e fornicamos bastante. Depois de todos os inimigos mortos, montamos as nossas Harleys e desaparecemos ao por do sol.»
    Priceless.

    O dia em que a grande passou por groupie. :)

    1. Fake groupie. Depois digo-te de quem é que eu era groupie de boa vontade…

  2. ahahahah
    Só a ti é que acontecem coisas dessas :)

    “figuravam nele uma série de esboços de guerreiros musculosos de espada na mão (don’t ask)”, perguntando na mesma… o que te levava a desenhar guerreiros musculosos de espada na mão? :P

    1. errrr…. ai. Eram os “hormónios”, meus menino… e algum apreço pela estética “Senhor dos anéis” e tal e tal. Além disso é preciso alguma mestria para fazer a lápis o claro escuro de uns peitorais – um sério exercício de desenho portanto! ;)

  3. xiii Manowar…so nao te gritou “woman be my slave” porque o tava a guardar pros entretantos…aqui a je podia contar algumas historias de groupies ou band aids como il faut…mas fica para alguns aha moments of life, para mais tarde postar…

    1. Ó mulher, agora estou a roer-me toda!! Por quem sois, posta lá umas coisas dessas!

      1. …eu posto os hints e depois conto te o resto (integral) boa? a minha vida ja foi um filme dos outros tipos, mas foi noutra vida e as vezes acordo e lembro-me, depois desmaio outra vez, sou tipo bela adormecida mas sem anoes (tivando o anao gigante)

        1. ah… os anões são da Branca de Neve, pá.
          Hints são válidos, sim, já topo tudo. Ainda venho a descobrir que te conheço.

  4. Agora foste falar nisto e tenho de ir ouvi o Warriors Prayer (fosga-se…epico, eu ainda gosto dos gajos pa)

    1. ahahahah… eu conheço algumas faixas mas nem sei os nomes. Tinha um colega que adorava e punha a tocar à sexta-feira. Dizia que eu lhe fazia lembrar uma tal de Sonja, de uma BD toda épica que ía bem com Manowar. LOL, devia ser nas minhas longas tranças louras… not.

        1. Ah, ah! O gajo que desenhei era parecido com este.
          “Suddenly, a gust of wind came from the north…” Isto é profético.

  5. É mesmo. Geralmente quando alguém se quer afirmar excessivamente em algum sentido, é porque ali há gato. E pelos vistos, tu até tiveste a premonição quando lhes apresentaste os desenhos dos latagões de espada em riste. Por algum motivo os brasileiros quando querem afirmar a sua masculinidade afirmam: “Olha aí, cara, eu sou espada!”

    1. Ahahah. Também está boa! Não conhecia… Aposto que tu nunca ouviste Manowar. Ora espanta-me lá.

      1. Mas quem é que nunca ouviu Manowar e os seus trágicómicos riffs? Agora, não me perguntes é se gostava, please!

        1. Acho que está respondido!

    2. antes espada que gilette certo?

      1. Bem Xuxi, na minha opinião, sim. Mas como há muito gosto alternativo… :)

  6. Bem, que cromos, machos de trazer por casa!

    1. Podes crer. (Como se faz para te mandar uma mensagem privada? Mandas-me o teu mail?)

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