O tempo em que eu gostava de amarelo

Planeta-Tangerina

Estas férias fui ao Jardim Zoológico de Lisboa. Exótico, não? Queria ir à Costa Rica, o paraíso da bio-diversidade, mas não me estava a dar jeito, por isso optei por uma solução de recurso. Não é assim tão mais barato, o Zoo, mas tem Sete Rios e nenhum vulcão em actividade. Além disso, podemos andar no teleférico com contentores de líquidos com mais de 100 ml. Só vantagens.
O que inspirou esta minha expedição foi aquele anúncio de uma cadeia de supermercados em que a miúda dizia que não percebia onde estava a crise, já que a família dela estava constantemente a ir comer fora… no quintal. Pois bem, pensei eu, quem não tem cão caça com gato e quem não tem gato, ora, que se console a ver tigres siberianos a dormir a sesta.

Já não ía ao Jardim Zoológico desde a visita de estudo de Ciências do 8º ano, aquela em que o António, o “libelinha”, resolveu dizer que gostava de mim em frente ao recinto dos ursos. No exacto momento desta revelação, o fundo do cone do corneto que eu estava a comer partiu-se, e aquele molho de chocolate muito escuro começou a escorrer, sem eu dar por isso, para a saia do meu vestido amarelo.
Entrámos no autocarro para o regresso todos borrados, o António e eu: ele de medo, porque eu lhe tinha dito “que ía pensar” e respondia amanhã, eu de castanho chocolate.

Voltaram atrás para confirmar se leram bem? Uma pessoa vai ao Jardim Zoológico nas férias e acaba a descobrir que já usou amarelo. É verdade. Eu tinha mesmo um vestido dessa cor. Amarelo pálido, de saia rodada. Que coisa! E gostava tanto dele.
Estava enterrado na minha memória juntamente com este episódio. Quando parei em frente aos ursos, saltou cá para fora numa explosão de constrangimento adolescente, libelinhas e cornetos de chocolate derretidos. Rico dia de férias: Zoo-2, Costa Rica-0. Só me faltou foi tirar a blogofoto das minhas sandálias em frente aos bichos.
Next time.

E se estão a interrogar-se sobre o desfecho desta história, tenho a dizer que houve vários e para todos os gostos. O António recebeu uma nega no dia seguinte, coitado, e formou uma banda de Heavy Metal com o desgosto. Acabei a escrever-lhe letras da pesada. O vestido amarelo ficou estragado para todo o sempre e eu nunca mais usei tal cor. Também passei a comer pernas-de-pau.
Por fim, dê lá por onde der, no próximo ano vou fazer um safari a sério!

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Ilustração de Madalena Matoso, Planeta Tangerina, à venda aqui.

9 comments
  1. oh Alexandra, porque nos torturas desta maneira? tanto tempo sem escrever e depois apareces assim do nada, e escreves pérolas destas. Eu sinceramente estou vagamente tentada a riscar-te das minhas leituras! brincadeira, estou nada, fico em pulgas para que vás mesmo à Costa Rica, nem em sonhos consigo imaginar que prodígios de relatos trarás de lá (oops,agora ia quase escrevendo traraz)

    1. Ó menina, tu estragas-me com mimos. E logo agora me sinto tão em falta porque não tenho lido blogs de espécie nenhuma. Vou pôr-me em dia e logo te digo mais coisas.
      E “traraz” seria uma palavra linda, soa a rufaz de tambor.

  2. Ahahah Adorei ler ! Foi o fim da macacada !

    1. heheheheh… E a figura de ursa que eu fiz?

  3. Assim que puder andar, está de pé (…) visitar a nossa Costa Rica.

    O máximo que tenho para contar foi um macaco ter roubado o gelado dum dos meus tios.

    (bom este regresso)

    1. Ó rapaz! Então apanhaste-me pelas costas e foste dar cabo de uma extremidade inferior em loucuras motorizadas? Não acho bem… já li de raspão e ainda vou ler melhor, mas deixo já aqui os meus sinceros desejos de melhoras (não tenho 90-60-90, por isso é o melhor que se arranja). E depois ‘bora lá fazer fisioterapia para a Costa Rica.

  4. oh Alexandra, era amarelo pálido, não conta :p
    (valeu a pena a espera pelo teu regresso :))

    1. Conta, conta! Nunca mais me aproximei de nada tão luminoso! :)

  5. No meio disto tudo… coitadito do António! :P

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