Esta é nova!

Eu sei que andei por fora uns tempos mas que é esta coisa agora dos comentários serem feitos por mensagem privada? E não estamos a falar de nada menos próprio, tudo coisas que se podem dizer sem vergonhas, à luz do dia e à nossa mãe, algumas com imensa graça.
Agradeço muito os beijinhos privados, as manifestações de afecto e os desenvolvimentos dos meus posts mas… só para os meus olhos? Está muito bem.
:P

Carlota, Carolina

Lembram-se da minha avó? Pois continua longeva e tresloucada, como aqui.
Não é coisa que passe com cházinhos.
As perguntas inúteis e incómodas continuam, mesmo não havendo resposta ou sendo esta uns bons tiros ao lado: “Como é que eu me chamo? Quem é esta? Qual é o teu nome?”. A haver inferno, mãe, é isto.
Agora uma nova bisneta, “Sabes como se chama?”. Carlota, diz da primeira vez, muito rápida, como se tivesse a lição estudada, enquanto passa o dedo ossudo pela bochecha do bebé e se desinteressa no segundo seguinte. Que diabo? Não acertou, mas onde foi ela buscar este nome? Nunca conhecemos nenhuma Carlota. Carolina, diz à segunda, sem hesitar. Também falhou. A minha mãe desespera, “Ontem disseste tão bem! E que era um nome bonito.” Mas eu alegro-me. Estes nomes são estranhos, novos, como se houvesse ali uma outra vida, uma outra história, uma imaginação ainda capaz de se soltar e voar para longe. Longe daquele quarto, daquela cama, daquelas fraldas, daquelas papinhas, daqueles cabelos ralos por pintar, daquela dentadura esquecida e daqueles pijamas polares com ursinhos.

Decisões, decisões

A primeira sesta da manhã é a mais longa, ainda que a desejássemos sempre maior.

Há que escolher rapidamente e sem medos: Tomamos o pequeno almoço em paz com os jornais do dia – torradas com doce e tudo; pomos roupa a lavar e até separamos as cores: cor-de-rosinha dela hoje, gangas amanhã; tomamos duche demorado com direito a lavagem de cabelo e máscara de pontas; trocamos sms e e-mails com pessoas que não dependem de sonos alheios; escrevemos posts cheios de autocomiseração enquanto lacrimejamos qualquer coisa; estendemo-nos no sofá a rever o episódio de ontem do Masterchef?

A  primeira sesta da manhã é a mais longa, mas só lá cabe uma destas coisas. Duas, com jeito. Hoje foi pequeno almoço lento, e-mails e… ouvido à escuta: silêncio, dorme! Ainda deu para escrever estas linhas.

(E o duche, Alexandra? Ora, as lavagens são sobrevalorizadas… ;P)

O arrepio e a burra mirandesa

Quando as pessoas viam o cabelo do meu irmão perguntavam à minha mãe se ela tinha sido lambida por uma vaca quando estava grávida dele.

(Pausa para um anacrónico momento “wtf”- à época ainda o nosso povo não exprimia espanto neste poderoso lingo das américas, mas a meu ver é única resposta válida à teoria que se segue)

O infeliz tinha um arrepio no cabelo, uma coisa com vontade própria que lhe levantava metade da franja, e é certo e sabido que estes maneirismos capilares se devem a mães grávidas expostas a lambidelas de gado. Gado vacum, caprino, asinino, equidio, etc, qualquer bicho destes, desde que tenha língua e más intenções, pode dar cabo do penteado de uma pessoa para todo o sempre. Ou assim fizeram crer à minha mãe. Mas não, ela não tinha sido agraciada com lambidelas, apressava-se a esclarecer, não a fossem tomar por sabe-se lá o quê. Já o arrepio, ainda existe, e na escola scundária valeu ao meu irmão a alcunha, hoje extremamente datada, de antena parabólica.

E nós não acreditamos nisto, pois não? Vivemos no século XXI, somos pessoas da internet e do mundo. Não andamos para aí a acreditar em histórias da carochinha, certo?
Pois sim. Este Verão visitei Atenor, uma aldeia no Nordeste Transmontano, onde fica a  AEPGA, a Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, que entre outras actividades, se dedica a proteger o Burro Mirandês. Já lá tinha ido há alguns anos e quis voltar para mostrar os burros mirandeses à minha filha. São uns animais muito bonitos e dóceis e podemos interagir com eles à vontade e até levá-los de passeio. Os voluntários da associação também são muito simpáticos e explicam-nos tudo o que quisermos saber sobre a região e raça.
Ora acontece que durante a visita ao cercado das mãe e dos bebés, uma burra grávida engraçou comigo, que por acaso também estava grávida. Enquanto a minha filha se entreteve com os burros bebés, todos bem maiores que ela, a burra mãe andou sempre colada a mim. A dada altura, lambeu-me o braço! Achei muito engraçado e não pensei mais no assunto. Três meses depois, a criança nº 2 vem ao mundo arrepiada. O remoinho desta vez não é na franja, como o do tio, é no cocuruto, quase na nuca, e não baixa nem por nada. Se calhar vou ter de adoptar um burro para ver se quebro o feitiço e o cabelo da criança vai ao sítio. Olha que esta.

E para não dizerem que estou a mentir, cá está esta vossa criada e a dita burra mirandesa, momentos antes da lambidela:

burra

Com o bónus de ficarem a conhecer as minhas duas crianças, uma linda e convenientemente tapada pela pala do boné, do lado de fora, e outra, igualmente linda, mas escondida, do lado de dentro.

Leitinho e superstição

WalterCraneBaby'sBouquet

A minha mãe é uma pessoa inteligente e com os pés bem firmes neste século, o que se torna difícil de acreditar quanto nos apercebemos da forma bizarra como se comporta na presença de um bebé. É como se vivesse num tempo em que os bebés eram seres (ainda mais) frágeis e preciosos e, por isso, precisassem de ser criados com doses iguais de leite e superstição, não fosse o diabo tecê-las. Apesar destas crendices arcaicas me fazerem muita comichão, especialmente desde que as vejo aplicadas aos meus iluminados bebés do século XXI, não deixo de sentir alguma curiosidade e respeito pela forma como estas lengalengas pagãs viajaram ao longo dos tempos, de mãe para mãe. Prolongo-lhes aqui a viagem, mal não faz.

Bocejar:
Sempre que os bebés bocejam, e as pequenas criaturas bocejam muitas vezes, o que pode ser cansativo, a minha mãe diz que se tem de fazer uma espécie de sinal da cruz sobre a boquinha aberta, dizendo:

“Anjinho bento,
p’la boca adentro,
Deus divino,
dê falinha,
ao meu menino”

Claro está que se não fizermos isso, o bebé nunca há-de falar, que os anjinhos bentos são seres vingativos e o divino Deus, então, nem se fala. Era o que dizia a avó dela, deve ser verdade. Já eu acho que as nossas avós lá deviam saber que uma boca aberta convida à entrada de doenças e isto é apenas uma protecção extra.
Já a minha sogra, mais prática, recorre antes um santo nesta coisa do bocejo. Mal o bebé abre a boca ela recita, não se sabe para que proveito, mas com muita graça:

“São Brás da Mata, que se esgana a gata”

A lua:
Sempre que o bebé se ri antes de um mês, daquela forma meio pateta, de olhos revirados, a minha mãe diz que “está com a lua”. Não é um sorriso a sério, é estar com a lua. E isso tem muito que se lhe diga. É que se tivermos sido boas mães, entregámos as crianças à primeira lua cheia depois do nascimento. É muito fácil. Basta ir à janela da cozinha com o infante, mostrá-lo ao nosso satélite luminoso e recitar:

“Lua, luar, aqui tens o meu/minha filho/filha para acabares de criar.
Eu sou mãe e tu és ama, tu cuidas que eu dou-lhe mama”

Que tal? A minha mãe é uma sacerdotisa pagã e não sabe. Será tarde para lhes mostrar uns álbuns de Moonspell? Lembro-me de termos feito isto à minha irmã, eu, a minha mãe e a minha avó, na varanda do meu quarto, e de eu ter achado fascinante. Ainda acho, mas não digam à minha mãe.
É claro que se por acaso o bebé demora a rir, a culpa aí já não é da lua:

“Se não se ri com um mês ou é tolo ou quem o fez”

Um mimo! E que pressão para progenitores que se crêem inteligentes. Avanço já que as minhas crianças se riram bastante cedo.

Palrar:
Mal os bebés começam a fazer outros sons que não a choradeira dos primeiros tempos, recorremos de novo à santidade para apelar ao sucesso na aprendizagem da linguagem:

“Santa Clara te dê fala”

Seria esta santa tagarela? Será padroeira dos terapeutas da fala? A investigar…

Depois há mais uma data de pequenas coisinhas: não colocar bebés em cima de mesas – não se criam; não passar por cima de bebés – não crescem, etc., etc.
Podia estar aqui o dia todo a escrever, mas tenho uma fralda para mudar e a única superstição que conheço que nos defenda de rabos assados chama-se Halibut*.

*A Halibut não patrocinou este artigo. Nem a lua, nem os santos mencionados.
Ilustração: “WalterCraneBaby’sBouquet” by Walter Crane. Licensed under Public Domain via Commons

Oxitocina e Turkish Delight

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Contracções: a maldição de Eva, a dádiva exclusiva do Criador ao sexo feminino, essa misteriosíssima dor, ía escapar-me pela segunda vez. Que diabo. Outra gravidez a acabar em cesariana?
Estava quase a sentir-me meia mulher, logo eu que tenho o tamanho de duas e nenhuma apetência para este tipo de conversa meio new age, que começa com doulas, recusas de epidural e onde se acaba a parir na água, entre o sofá da sala e a televisão, com sons de baleias e florestas tropicais como banda sonora. Não, não, não. As crianças não querem sair sozinhas? Pois que abram um buraco para as tirar, é para o lado que durmo melhor, mas estava com alguma pena de não chegar a experimentar um parto normal, à “antiga”, com contracções e tudo. Uma só que fosse, para ver como era.
Então, quando já se ouvia o afiar das facas, experimentou-se a indução, esse terrível monstro. Entra assim em cena a…


Oxitocina

É uma palavra linda, ou quê? E também é uma coisa muito útil. Para além de fazer com que nos apaixonemos, e ser, no fundo, a razão de tudo isto, quando aplicada no buraco certo, é tiro e queda! Salvo seja, que ainda penei que me fartei antes que aqueles quatro quilos de miúda me viessem repousar no peito, a choramingar e já com uma certa fome.
Mas estou a adiantar-me. Antes disso houve um jogo do Benfica, desfile pelo bloco de partos com um outfit composto por duas batas amarradas, já que o Garcia de Orta não tem vestimentas compridas o suficiente para tapar o rabiosque de Alexandra, a Grande, voltinhas na bola de pilates (alivia a dor? pois sim…) e duas doses de epidural, conseguida através de uma enfermeira chamada Alexandra, mal esta sua homónima percebeu que as contracções, afinal, não tinham piadinha nenhuma. Para ver como era, uma só chegava, mas aquilo não havia meio de parar e cada vez doía mais e mais tempo. Não me tenho por fracalhota, mas às tantas dei por mim a pensar na minha bisavó Francisca que teve 10 filhos sem anestesia de qualquer espécie. Como é que ninguém foi capaz de dar um sumiço ao meu bisavô a meio da ninhada? Que falta de caridade. Até aquele tipo barbudo ali ao meu lado, a gritar golo de vez em quando, me estava a começar a parecer um nadinha desprezível.
Entretanto fez-se noite e quando a ameaça da cesariana voltou a pairar sobre nós, a miúda resolveu-se. Espreitou o mundo, pareceu-lhe bem e atirou-se. Eu dei uma ajuda, claro. Foi rápido, um bocadinho esquisito, que é o melhor que posso dizer sem entrar em pormenores gráficos, mas surpreendentemente fácil. Ou teria sido, se não estivesse com tanto medo que desse qualquer coisa ao tipo barbudo a meio do processo. Uma vitória do Benfica e o corte do cordão umbilical, assim de seguida, é muita emoção para um só chefe de família.
Parabéns a nós, somos pais outra vez! Viva a reprodução da espécie!


Turkish Delight

A parte boa dos partos normais é que podemos comer logo em seguida. Nada daquele tormento do soro da primeira vez e ainda bem, já que o meu viajado paizinho levou-me ao hospital de presente um saquinho de Turkish Delight, restos do seu recente périplo pelo mediterrâneo (é uma coisa que aprecio imenso, quer sobre a forma de doces exóticos peganhentos, quer sobre a forma de canção).
E isto traz-nos ao final da história: o plano abre sobre Alexandra, a Grande, num quarto cheio de puérperas queixosas e recém nascidos esganiçados (bem sei que não se usa isto dos partos nos hospitais públicos, sem quartos privados, mas eu sou uma pobre suburbana e gosto de ver a minha casa da janela do Garcia de Orta), recostadinha na almofada com o logotipo das gaivotas, de camisa de dormir emprestada da avó, a enfiar quadradinhos de goma na boca e a lamber os dedos, qual sultana orgulhosa. A seu lado dormita um bebé gorducho, a número dois, tão pequenina, tão linda e já tão amada.
E começa tudo outra vez. Ainda bem que o saquinho trazia muitos doces.

Recém-nascidos

Assinale com um X a afirmação verdadeira:

– A primeira vez é mais difícil, não fazemos ideia do que aí vem.

– A segunda vez é mais difícil, sabemos exactamente o que aí vem.

Ai.

Apocalipse precisa-se

Não é preciso ser mesmo o Apocalipse, não exageremos. Quatro cavaleiros aos pinotes só vinham para aqui empatar e não sei se queremos descobrir a utilidade que teria a prostituta da Babilónia num caso destes. Qualquer coisa mais modesta, sei lá, uma guerra civil, uma invasão de lagartos extraterrestres, uma pandemia zombificante qualquer. Enfim, fazia-me jeito.
O que é preciso é que aconteça qualquer coisa que afaste o pai da criança de casa, que o ponha em perigo, incontactável, M.I.A, ou então que o impeça de atravessar o rio de urgência à minha chamada (tenho medo, no entanto, que uma greve da Fertagus não seja dramática o suficiente). É que é assim que os bebés nascem na ficção, e eu preciso muito que este bebé nasça. JÁ.
Está decidido, o pai tem de desaparecer temporariamente num mundo virado do avesso. Escusas de vir jantar à hora do costume, estás a ouvir? É sempre ao primeiro sinal de confusão, tiroteio, espancamento ou tempestade de fogo que a grávida da história se agarra à barriga, aos gritos. O bebé nasce logo na cena seguinte, também aos gritos, para condizer, mas não sem as complicações rocambolescas da praxe que podem, ou não, envolver camisas de dormir vitorianas encharcadas em sangue, prematuros gordinhos, gémeos imprevistos, cesarianas de canivete suíço e alguém a gritar por água fervida e panos limpos. Se calhar dispensamos alguns destes detalhes e passamos logo para o The end. Que alívio.
Por aqui? 40 semanas e 3 dias e nada. De nada. Tudo demasiado calmo. Excepto o telefone “já nasceu, já nasceu?”.
Apocalipse precisa-se. Panos limpos já temos.

#Primeiro Assédio: Era só flor

Estávamos de férias em casa da avó e deixaram-nos ir sozinhos ao São Jorge pela primeira vez. Íamos ver as Tartarugas Ninja II – O Segredo da Lama Verde.
Diz-me o IMDB que se estava em 1991 o que, contas feitas, significa que tínhamos 12 e 13 anos. Eu, mais velha, bem mais alta, já a crescer em direção ao metro e oitenta e dois de hoje, trazia vestida a minha t-shirt favorita, aquela largueirona, com um padrão de ratos mickeys a segurar balões cor-de-rosa. Perfeita para disfarçar os relevos do soutien minúsculo que a minha mãe me tinha começado a obrigar a usar nesse Verão. O meu irmão, companheiro de todas as horas, era ainda um bocado parvo, não passava de uma criança. Mas isso, é claro, éramos os dois.
Descemos do 104 no Terreiro do Paço e fomos o resto do caminho a pé. Nunca tinhamos andado assim sozinhos pela Baixa e pusemo-nos a saborear a nossa autonomia como se fosse um super-poder. Sabia a voar, a transpor paredes, a coisas boas que haviam de vir. Era mesmo bom.
Por alturas dos Restauradores o que veio, afinal, foi só um homem. Não lhe guardei do aspecto mais que a estatura, baixa, atarracada, aquilo que minha mãe classificaria como pertencente à família dos Grandes Minorcas – nome científico,“caga-tacus-minusculus”. De resto, só retive aquela voz que roçou por mim ao mesmo tempo que o seu ombro e boa parte de um braço peludo: “Era só foder…”. Lentamente, quase sonhadora, a voz, a pretender-se convidativa, mas no fundo só aterradora. Fiquei gelada, a convocar sem sucesso o super-poder da invisibilidade, o do buraco mágico aberto no chão. Mas não era preciso, o homem e aquela voz seguiram caminho, contentes consigo mesmos. “Era só foder…” A mensagem estava entregue.
Ao meu lado, o meu irmão olhava-me desconfiado, “o que é aquele te disse?” Nada, não percebi, não sei. “Parecia mesmo, era só flor…” Uma criança, o meu irmão. Nem reconheceu a palavra que me ía a queimar de vergonha enquanto repetia para mim, não faz mal, ele enganou-se. Não faz mal. Afinal, vista de costas, eu passava bem por uma mulher adulta, não era? Uma mulher adulta com uma camisola de ratos mickeys com balões cor-de-rosa, a caminho das tartarugas Ninja. Não faz mal? O raio é que não faz. O raio é que não fez.

Foi há 24 anos, mas foi a primeira coisa que me veio à cabeça quando li esta notícia. E é triste que seja apenas uma das muitas histórias de assédio à menina, ainda não mulher, que foi Alexandra, ainda não tão Grande.
O tema não é novo, tem sido muito discutido nos últimos tempos e eu junto-me agora à causa. Será que as minhas filhas vão poder andar pela rua sem sentirem que trazem escrito na testa a palavra “carne”? Era bom que fosse mesmo “flor”, mas nunca é.

Anda lá Joaquim*

Com o tempo, passamos a apreciar coisas que antes não eram sequer toleradas e ganhamos embirrações por outras que costumavam ser-nos indiferentes.
Eu não gostava de peixe de espécie nenhuma, achava que o vinho sabia a azedo e não podia sequer sentir o cheiro a queijo. Para além disso, o mundo estava de certeza contra mim sempre que começava a chover.

A melhor manhã das minhas férias foi esta, em que abri a janela rendada do quarto em Montesinho, me encostei ao parapeito de pedra e fiquei a admirar a inesperada benção de uma chuva de Agosto. Cores lavadas, alegres pingares e gorgolejos, mil cheiros novos. Não fazer nada a não ser olhar lá para fora. Alguém pode dizer que foi só água a cair do céu?

montesinho
*este fim de semana temos réstias de furacão com nome de macho latino, parece. Daí este título.

 

 

Da esperteza e dos motores de busca

O mês passado arranjei um telefone esperto. Não é que o anterior fosse estúpido, mas não permitia fazer as coisas lindas e úteis que este agora permite. Como é que eu sobrevivia antes sem vencer desafios de Quizz up tipo “Name the TV Show” em pleno rio Tejo? Ou sem tirar selfies de língua de fora no local de trabalho e mandá-las nesse instante para entes queridos, que de seguida retribuem com a sua própria foto de olhos tortos?
Digo-vos que é todo um admirável mundo novo o que andei a perder e que estou muito mais confiante no futuro da humanidade, agora que sei que talvez passe por estas pequenas espertezas.

Mas vamos ao que interessa. O telefone esperto mostrou-me as estatísticas do blog pela primeira vez em meses. (Não adianta fingir, reabre-se o blog, consultam-se as idas e vindas dos leitores, é mesmo assim). Mais surpreendente do que descobrir que eles andaram por cá, diariamente, a escutar o meu silêncio ou a desenterrar posts antiquíssimos, foi atentar na forma como alguns deles vieram cá parar.

Revisitemos pois o subestimado mundo dos termos colocados nos motores de busca: Pois parece que neste blog “existem bruxas que comem crianças”, o que não me espanta nada. Caso não se dê com elas à primeira, é procurar nos “lindos súburbios da nova zelândia”. E por falar em géneros alimentícos, “faz mal comer grelos” (espero que o dono desta opinião não seja o mesmo que declarou “vou comer naftalina”…)
Certos visitantes parecem perdidos, não sabem “onde fica a margem sul”, outros interrogam-se “como desenhar mamutes” e há grandes dúvidas sobre “porquê pôr a mão na mama da Julieta”.
Há muita gente que veio ao engano, na esperança de ver “objectos bolorentos”, “imagens de coiotes desmaiados”, “alexandra em fio dental” ou “fodas caseiras gajas dos açores” (wtf?). Mas o que se descobriu afinal é que os “chinelos magoam entre os dedos” e o “vegeta usa brinco”. Finalmente, muita, muita gente pergunta “posso-te conhecer”, o que me deixa contente!

Como creio que não há melhor para explicar aos novos visitantes deste blog do que trata o mesmo, desafio-os a tentar procurar o post correspondente a estes belíssimos termos. E fica feita uma espécie de revisão da matéria dada.