Parte 01 – Perfeição

Recostou-se na cadeira e puxou o mac mais para perto de si. Percorreu a playlist à procura de banda sonora à altura da tarefa (e capaz de camuflar os sons de estádio em euforia do FIFA 2013 na playstation ali ao lado). O dedo indicador, com uma nervosa unha roída, dirigiu o rato para a pasta dos românticos tardios. A 8ª de Mahler começou, triunfante. Não, não, não. Era preciso algo mais doce e inquietante. O cursor seguiu para Sibelius*, clic, clic, e a voz robotizada e profética de Helder Conduto, “Mas que perigo!”, foi de imediato silenciada pela nova melodia.
A mão esquerda mergulhou na bonbonnière de cristal da Boémia, herdada da tia-avó Modesta de Talavera de la Reyna, e retirou uma pequena trufa coberta de cacau. O amargo chocolate preto derreteu-se-lhe na língua ao mesmo tempo que o photoshop abria menus e caixas de ferramentas. Lambeu os lábios, escolheu do catálogo de cores um verde Pipoco, e começou.

(e eu que pensava que até nem era pessoa de novelas?)
*O lobby escandinavo ataca de novo!

5 comments

  1. Ruben Patrick

    Alexandra, para o caso de ainda ir a tempo, o Tio Pipoco está ali a contorcer-se de desespero, mãos na cabeça, “O que é que a miúda vai fazer ao meu cabeçalho de blog?!!!”, já fumou três Davidoff e mandou-me comprar absinto (só me manda compar absinto quando o Sporting perde), acho que ele teria preferido Bach como banda sonora e quase desfaleceu quando tomou conhecimento que a Alexandra tinha relações familiares com Talavera de la Reyna, sabe lá as coisas que se passam em Talavera…

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