Sarau musical

A chegada do Outono à corte de Alexandra, a Grande, foi celebrada com pompa e folia, através de um sarau musical caseiro. Do programa constavam essencialmente covers de “Polly”, dos Nirvana, em variadíssimas versões, tons e velocidades, interpretadas por Alexandra, ela própria, acompanhada à guitarra pelo czar-consorte. Consultou-se devidamente o google para relembrar as lyrics (ou mesmo aprendê-las, já que nunca se teve bem a certeza do que raio se escapava por entre os maxilares cerrados de Kurt Cobain) e pôs-se a uso uma palheta vermelha nova.
Ao intervalo serviram-se crackers e lastimou-se a pouca frequência de iniciativas culturais do género. Constatou-se que sim, é divertido ver dois episódios do Breaking Bad de seguida, mas descobrir acordes é muito mais. Chegar ao fim de uma canção sem enganos, é de um prazer mais refinado que colar o rabinho ao sofá, concordámos. E tentar e falhar e rir e dizer asneiras em dueto é do mais divertido que há.
Os rumores de que grande parte dos andares do prédio foram postos à venda na manhã seguinte, são completamente falsos e a racha na parede do átrio já existia antes do falsete do refrão – (“Era preciso subires para falsete no refrão? “Era”).

“It isn’t me
We have some seed
Let me clip
Your dirty wings…”

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Estes jograis são do Cancioneiro da Ajuda e  não se parecem nada connosco. Ok, talvez nos penteados.
10 comments
  1. Ah, as saudades, que saudades! Vou já pegar no cd para o levar para o carro amanhã. Será que íamos lá a pandeireta, que guitarra cá não há quem toque?

    1. Não temos pandeireta, estás com sorte. Domingo às 10:30, em minha casa. Vamos atacar o “She”, dos Green Day. Topas?

      1. É do Dookie, logo topo, obviamente.

  2. Confessa, desde a adolescência e de ouvires o Kurt Cobain nos intervalos das aulas de português, sempre quiseste escrever as palavras Nirvana e jograis num mesmo texto :)

    1. Ui, tu conheces-me mesmo! Foi naquele dia em que demos o Ai flores, Ai flores de verde Pino, do nosso D. Dinis. Sempre vi ali imenso potencial grunge.

      1. lol, não, não te conheço, mas devemos ter andado na escola nos mesmos anos e com os mesmos programas (também tive uma amiga alexandra, que era alta, mas não era espirituosa como tu; tive outra amiga alta e espirituosa, mas chamava-se rita). Essa do “ai deus e u é” nunca mais me esquece, também. Eu odiava as aulas de português, odiava aquilo de analisar os textos e de procurar as figuras de estilo, mas gostei das cantigas de amigo e de escárnio e maldizer e dos cancioneiros. E gostava de professora, que era excelente.

        1. Não gostar de português, como é que pode ser? Eu, de ciências, vivia para aquelas aulas. Mas tive a sorte de ter a melhor professora de português do mundo, faz toda a diferença.

          1. Estou com a Mariana, eu adorava português, mesmo quando as professoras eram menos cativantes. Só não gostava de ler poesia alto, mas parece que o fazia bem, por isso era chamada muitas vezes. Bah.

  3. (Antes esse que o bimbo do Morrissey) também tenho aqui um Mário Lanza no prédio, mas só canta músicas do Tony Carreira (felizmente sem coros), eheheh

    1. Já te disse para te mudares para a margem sul, Vic. Agora até já temos entretenimento do bom.

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