Syfy: pózinhos de perlimpimpim

Tenho de começar a minha análise da semana Syfy a fazer valer os meus galões: falemos então do branding do canal que, segundo me diz Google, é da autoria destes senhores.
(passe à frente quem achar que se aborrece com estas coisas…)

Num canal cuja programação está saturada de efeitos especiais, criaturas fantásticas, animais mitológicos e pózinhos de perlimpimpim, acho mesmo refrescante que toda a imagem, separadores incluídos (aprendi que se diz bumpers!), seja predominantemente branca estilizada, limpa. Se pensarmos nisso, não faria sentido de outra maneira. É que este é um canal de nicho que não esconde ambições mainstream e uma linguagem gráfica mais hermética podia comprometer essa estratégia.

A tipografia do logotipo é inesperada, de formas suaves, femininas. Quase sempre representada a branco e em 3D, é amigável e calorosa, uma bandeira branca como que a dizer: “Vimos em paz, terráqueos.”
(Isto para mim faz imenso sentido porque esta estética asséptica e redondinha transporta-me para ambientes espaciais retro muito ao género Espaço 1999 e afins…)

Os bumpers são um corte, o anúncio de uma pausa na acção. No Syfy, é preciso que essa pausa seja um descanso para os olhos: monstros, fantasmas, extraterrestres – branco alívio – catástrofes, guerras, desastres – branco consolo.

Para além de brancos, os bumpers Syfy são elegantes e sofisticados, com um lirismo minimalista. Foram concebidos para passar um certo ideal de bom-gosto e contrariar a opinião geral de que a programação sci-fi é extravagante, excessiva e, convenhamos, por vezes má.
Estes curtos motion graphics assentam todos sobre o logotipo do canal, de onde nasce uma animação delicada e, mais uma vez inesperada. Explosões súbitas de cor e calor no meio do gelo. Poderíamos ter elementos mais obviamente sci-fi, mas a equipa criativa preferiu representar a metáfora, a magia, a poesia, os tais pózinhos de perlimpim. Acho muito inteligente e gosto bastante, mas…

Clicar aqui para ver o bicho aqui em movimento…

… a grande questão que se me coloca depois disto é a seguinte: se o briefing me fosse passado a mim teria sido fácil resolvê-lo desta forma tão contida e minimalista? Não creio… mas eu tenho um pézinho em Mordor e outro em Marte.

 

8 comments
  1. eu fico sempre com vontade de desafiar os designers para o clássico “mostra lá uma ideia de como tu farias, gostava bastante de ver”, mas depois fico todo roído porque sei bem que não é “estalar os dedos e fazer uns bonecos” e acabo por me calar. well, most of the time.

    1. Tu saberes que não é bem “estalar os dedos e fazer uns bonecos” já ter torna o meu herói!

  2. Confesso que se tivesses escrito tudo isso em caracteres chineses não teria feito qualquer diferença, não percebo nada da terminologia mas tudo soa perigoso.

    “Syfy” isso é tipo uma série americana sobre crimes? Syfy Miami, Syfy New York?

    “branco alívio” isso é sabão para a roupa, claro.

    “bumpers”? essa, estou confiante, também sei. São preservativos, certo?

    1. :)

      Perigoso é de certeza, aliás, esqueci-me de referir aquela coisa do “não tentem isto em casa”.

      Por acaso a mim o que me soa a sabão é mesmo a palavra Syfy… branquinho, a apetecer ler “sifi”, é um instantinho enquanto se transforma em lava-tudo para cerâmicas.:P

      Esses teus “bumpers” não sei, mas se tu o dizes.

  3. És da publicidade? Gosto da área, e sempre fui um pouquinho analítica do modo como criam necessidade em nós. Mas francamente, não tenho o SyFy e não fico com pena. Mesmo sendo adepta desses ditos bumpers clean. :-)

    (Menção honrosa hoje no Umbilicalidades.)

    1. Sim, sou dessa área maléfica.

      O SyFy é delirante! Eu gosto imenso de ver um bocadinho antes de ir dormir para ter bons sonhos!

      Obrigado pela menção, (totalmente injustificada, pá!) ainda não tive oportunidade de comentar, mas já vi! E parabéns, já agora!

  4. Embora não perceba nada do assunto, percebo a linha de comunicação escolhida: isto não é só para os geeks, é para todos. Não sei se resulta ou não. Depois de um bumper muito clean, vem a programação de que se gosta ou não e de que, em princípio, não se passa a gostar por o bumper estar muito “mainstream”. Mas espero que sim, que resulte.
    A opção por algo mais “literal” provavelmente pecaria por não arriscar procurar novos públicos… não era fácil a escolha!

    1. Vês? Percebes, sim!:)

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